
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nessa terça-feira, a abertura de um novo inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência em órgãos federais. Com a decisão, sobe para três o número de investigações que envolvem o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dino também ordenou uma apuração sobre supostos vazamentos de informações sigilosas relacionadas aos casos. Nos bastidores do PT, integrantes da legenda demonstram incômodo com a sequência de dados tornados públicos durante as apurações. O mal-estar aumentou após a divulgação de que o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu pagamentos da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e um dos nomes investigados na Operação sem Desconto, sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A apuração da PF sobre o repasse financeiro a Marcola — cujo valor não foi divulgado — levou um novo foco de desgaste para o núcleo mais próximo de Lula. O caso atingiu em cheio a chamada "cozinha" do Palácio do Planalto e abriu um impasse dentro da campanha presidencial: manter um dos auxiliares de maior confiança de Lula ou afastá-lo, caso as explicações sobre a movimentação financeira não convençam os investigadores.
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Roberta Luchsinger é investigada pela PF por suspeita de participação no esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em nota, Marcola confirmou ter recebido os recursos, mas afirmou que se tratava de um empréstimo entre particulares, posteriormente quitado, e negou qualquer irregularidade.
A revelação da movimentação financeira provocou desconforto entre auxiliares do presidente e colocou o caso no radar do Planalto. Nos bastidores, interlocutores admitem que a principal preocupação do governo é impedir que o episódio amplie o desgaste político de Lula durante a campanha.
No gabinete presidencial, cresce a expectativa de que Marcola apresente documentos capazes de comprovar a origem e a natureza da operação financeira. A avaliação de integrantes do governo é que esses comprovantes serão determinantes para definir o futuro político do ex-chefe de gabinete.
Apesar da pressão, auxiliares próximos ao presidente afirmam que Lula não pretende tomar qualquer decisão antes de conhecer os elementos que serão apresentados à investigação. A cautela é explicada, sobretudo, pela relação de confiança construída ao longo de anos entre o chefe do Executivo e Marcola.
Considerado um dos homens mais próximos de Lula, Marcola integrou o núcleo político do presidente em diferentes momentos de sua trajetória e mantém uma amizade antiga com o petista. Esse histórico pesa a seu favor nas discussões internas e faz com que integrantes do governo defendam que qualquer decisão seja tomada apenas após o esclarecimento dos fatos.
"Serenidade"
Em entrevista ao Correio, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da defesa de Lulinha, afirmou que a decisão de abertura do terceiro inquérito contra o cliente foi recebida "com serenidade e tranquilidade". Ele garantiu que o filho do presidente vai colaborar integralmente com as investigações.
"O Fábio vai se colocar à disposição para prestar todo e qualquer esclarecimento necessário. Não há qualquer tipo de receio. A ele, mais do que a qualquer outra pessoa, interessa o esclarecimento dos fatos", disse. O defensor acrescentou que confia "integralmente na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino" e ressaltou que ninguém está acima da lei, desde que o processo transcorra com respeito às garantias legais.
Marco Aurélio também confirmou ter se reunido, na segunda-feira, com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para tratar do caso. O encontro foi confirmado pela assessoria da pasta. Segundo o advogado, o objetivo foi reforçar o pedido para que sejam identificados os responsáveis pelos vazamentos de informações decorrentes das investigações envolvendo o filho do presidente. A defesa já havia protocolado representações tanto no Ministério da Justiça quanto na Polícia Federal solicitando providências para apurar a divulgação de dados sigilosos.
"Levei ontem a minha preocupação ao ministro da Justiça pedindo que ele reforçasse os esforços do diretor-geral da Polícia Federal para identificar os servidores que fizeram uso das suas funções para promover vazamentos clandestinos e criminosos", frisou. Na avaliação de Marco Aurélio, a Polícia Federal recuperou sua autonomia institucional e deve atuar de forma independente, sem interferências políticas.
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