
Proposta já foi aprovada pela Câmara, mas ainda tramita no Senado Federal - (crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu concentrar esforços no Senado para tentar destravar a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A matéria é considerada uma das três prioridades do Palácio do Planalto para a reta final antes das eleições de 2026, ao lado do fim da escala de trabalho 6x1 e da regulamentação da exploração de terras raras.
A estratégia é transformar a agenda de segurança em uma das principais vitrines da campanha de reeleição.
A PEC amplia a participação da União na coordenação das políticas de segurança e estabelece diretrizes nacionais para o enfrentamento ao crime organizado. A avaliação dentro do governo é de que a proposta tem maior possibilidade de avançar no Senado do que a PEC que prevê o fim da escala 6x1.
Mesmo com a intenção de acelerar a tramitação, integrantes do Planalto consideram difícil concluir a votação da mudança na jornada de trabalho antes das eleições.
O avanço da PEC da Segurança também está relacionado a um projeto político mais amplo de Lula. A intenção do presidente é, caso o texto seja aprovado pelo Congresso, criar um Ministério da Segurança Pública antes do primeiro turno.
A nova estrutura seria apresentada como uma resposta do governo a uma das áreas em que enfrenta maior resistência junto ao eleitorado e reforçaria o discurso de combate ao crime organizado durante a campanha.
A articulação para viabilizar a proposta deve entrar na pauta da próxima conversa entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Os dois voltaram a se reunir na semana passada, após um período de tensão provocado pela rejeição, em abril, da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O governo agora tenta reconstruir a interlocução com o comando do Senado para garantir espaço para as matérias consideradas estratégicas.
Mudança de jornada tem resistência
Apesar de o fim da escala 6x1 continuar entre as prioridades do Planalto, o governo reconhece que a proposta enfrenta mais resistência e deve avançar de maneira mais lenta. Politicamente, porém, a avaliação é de que a defesa da redução da jornada já produz efeitos para Lula e poderá ser explorada durante a campanha presidencial.
A agenda social deverá dividir espaço com temas de segurança e desenvolvimento econômico no discurso eleitoral.
Outra frente que o governo pretende acelerar no Senado é a regulamentação da exploração de terras raras, minerais considerados estratégicos para setores como tecnologia, transição energética e indústria de defesa.
Após reunião com Lula nesta terça-feira (11/8), o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, também reforçou a prioridade dada à medida provisória (MP) que prevê o fim da chamada “taxa das blusinhas”.
O Planalto pretende pedir a Alcolumbre a instalação das comissões mistas das MPs e trabalhar pela aprovação rápida da medida.
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Por Alícia Bernardes
postado em 11/08/2026 19:39

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