
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, relatou nesta quarta-feira (12/8) uma abordagem que classificou como “ostensiva” e “intimidadora” por parte de uma viatura da Polícia Militar na noite de ontem (11). O episódio ocorreu quando o petista chegava à sua residência, na zona sul da capital paulista, após participar de um evento.
Segundo Haddad, a viatura se aproximou de seu carro e lançou uma luz para dentro do veículo. A abordagem, inicialmente, não chamou a atenção do candidato, que entrou em casa sem considerar a situação fora do normal. O problema, segundo ele, ocorreu depois que seu motorista deixou o local.
“O meu carro, depois que me deixou em casa, foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo. De uma forma um pouco ostensiva e intimidadora”, afirmou Haddad durante conversa com jornalistas.
O motorista teria sido seguido pela viatura por cerca de 40 minutos, segundo relato posteriormente apresentado ao advogado de Haddad, Hélio Silveira. De acordo com o candidato, os policiais teriam emparelhado o veículo, se aproximado do para-choque traseiro e estacionado próximo ao carro sem realizar uma abordagem formal.
“Não foi uma abordagem padrão”, disse Haddad. “Foi uma coisa diferente. Foi parelhar o carro, você ficar colado no carro, você estacionar e não sair para pedir documento, pedir se apresentar. Não foi normal.”
O candidato afirmou que o motorista ficou abalado com a situação. Segundo Haddad, havia três fuzis dentro da viatura, enquanto os policiais observavam o veículo. Diante do episódio, o motorista procurou o advogado do petista para receber orientação sobre como proceder.
Haddad afirmou que o caso será levado ao governo de São Paulo e às autoridades responsáveis pela segurança pública. A intenção, segundo ele, é obter esclarecimentos sobre a motivação da ação policial.
“Eu quero crer que possa ter havido alguma confusão. Espero que tenha sido uma confusão”, declarou.
O petista evitou afirmar que a abordagem teve motivação política e ressaltou que não sabe se os policiais tinham conhecimento de que aquele era o carro que havia acabado de deixá-lo em casa. Para Haddad, pode ter ocorrido uma coincidência ou até mesmo uma confusão envolvendo a identificação do veículo.
“Às vezes a pessoa está cumprindo o dever dela. Tem razão para ter feito essa abordagem. Confundiu a placa do carro. Estava procurando um suspeito”, ponderou.
Apesar da cautela, Haddad afirmou que considerou necessário tornar o episódio público. Para o candidato, deixar de comunicar o caso às autoridades poderia dificultar uma eventual investigação no futuro.
“Se eu não dou a público isso, amanhã acontece alguma coisa, você não tem nem por onde começar uma investigação”, afirmou.

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