
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a transformar em ação a estratégia eleitoral de ampliar a presença de parlamentares governistas no Congresso em um eventual novo mandato. O chefe do Executivo reservou parte dessa quinta-feira para gravar mensagens de apoio a candidatos aliados aos governos estaduais e, principalmente, ao Senado.
As gravações ocorrem no QG de comunicação da campanha, no Lago Sul, em Brasília, e reúnem candidatos de diferentes estados. O conteúdo será adaptado às características de cada disputa e poderá ser utilizado tanto nas redes sociais quanto nos programas eleitorais de televisão.
A prioridade pelo Senado foi destacada por diferentes integrantes do governo e da cúpula petista, além de aliados que acompanharam a produção. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que participou das gravações, afirmou que Lula tem demonstrado preocupação central com a formação de uma Casa legislativa alinhada à defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito.
"Eu acho que o presidente tem colocado isso de forma muito clara, que ele tem uma preocupação com o Brasil eleger deputados federais, eleger governadores aliados. Ele tem uma preocupação central de ter um Senado comprometido com a democracia brasileira", afirmou.
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A senadora considera que o movimento de Lula não se limita à eleição presidencial. Na avaliação dela, o resultado da disputa pelo Senado será determinante para a composição política do país nos próximos anos.
A preocupação ganhou espaço dentro do PT em meio à avaliação de que a próxima composição do Senado terá peso relevante na relação do governo com o Congresso e com as instituições. Eliziane disse que setores da direita e da extrema-direita também direcionaram esforços para a eleição de senadores.
"A gente sabe hoje que a extrema-direita focou no Senado Federal no sentido de eleger pessoas que não têm esse compromisso, que façam ataque às instituições. E o Senado é a casa principal. É no Senado que nós elegemos os membros do Supremo Tribunal Federal e das demais instâncias", argumentou.
A intenção do governo é alterar a atual correlação de forças no Legislativo. O senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que a prioridade do partido é a recondução de Lula e, em seguida, a eleição de senadores alinhados ao Executivo. "O que começa a ser desenvolvido hoje é muito importante na nossa estratégia", frisou.
Segundo Costa, o objetivo é construir uma "bancada lulista" no Senado, reunindo não apenas petistas, mas também aliados de outras legendas. A ideia é ampliar o apoio parlamentar necessário para a aprovação de propostas defendidas pelo governo.
O senador também ressaltou uma mudança na forma como a legenda pretende encarar a eleição para a Câmara. "Essa é a primeira vez que nós estamos fazendo um trabalho para o voto no PT para deputado", enfatizou.
Projeto nacional
Líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE) acompanhou parte da produção e participou das gravações destinadas ao estado. Segundo ele, Lula está organizando o trabalho por entes federativos e priorizando inicialmente candidatos que já possuem mandato e nomes aliados que disputarão as eleições. A orientação é de que as mensagens apresentem características e demandas locais, ao mesmo tempo em que associam os candidatos ao projeto nacional defendido pelo presidente.
Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, também apontou o Senado como uma das prioridades de Lula. Segundo ele, as mensagens terão entre 30 segundos e um minuto e deverão apresentar uma síntese das ações realizadas pelo Executivo, estabelecendo uma comparação com o período de 2019 a 2022.
"O presidente está dando muita atenção a uma eleição para o Senado, então ele tem gravado algo em torno de 30 segundos, às vezes, até um minuto, com a mensagem que é a síntese do que temos feito. Nesses quatro anos, nós transformamos o Brasil", destacou. "Nós recebemos o Brasil na fila do osso. Os brasileiros tendo de enfrentar o drama de buscarem osso em açougue. E nós retiramos o Brasil do Mapa da Fome nesses quatro anos."
Randolfe disse que a disputa deverá ser marcada pela comparação entre os dois períodos e pela defesa de uma composição parlamentar alinhada ao programa do governo.
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