
Desde junho de 2025, os Estados Unidos vêm dando sinais de que pretendem pressionar por uma mudança de poder no Brasil, na avaliação de um integrante do alto escalão do governo brasileiro. Para esse interlocutor, os movimentos de Washington deixaram de ser tratados apenas como uma disputa comercial ou diplomática e passaram a ser observados também sob a perspectiva eleitoral.
A escalada, segundo essa leitura, começou com o primeiro tarifaço e ganhou novos capítulos com sanções contra ministros do Executivo brasileiro, medidas de retaliação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, suspensão de vistos e novas tarifas impostas ao país. O conjunto das ações é visto no Palácio do Planalto como parte de uma estratégia de pressão sobre o governo Lula.
De acordo com o auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), qualquer movimento que possa interferir ou tentar alterar o resultado de uma eleição é acompanhado com cautela pelo governo. A avaliação é de que a atuação norte-americana não necessariamente se restringiria a medidas econômicas ou diplomáticas e poderia avançar para instrumentos capazes de influenciar o ambiente político brasileiro.
Ambiente digital
Entre os cenários considerados nas hostes palacianas está o uso das redes sociais como ferramenta de pressão e disputa narrativa durante o processo eleitoral. Na avaliação do interlocutor, os Estados Unidos poderiam combinar novas tarifas e outras medidas de pressão com ações no ambiente digital para tentar influenciar o rumo da eleição brasileira.
Por isso, o Planalto não descarta a possibilidade de uma ofensiva mais ampla de Washington à medida que a disputa eleitoral se aproxime. A orientação, segundo esse integrante do governo, é observar os movimentos norte-americanos e tratar como sinal de alerta qualquer iniciativa que ultrapasse a pressão sobre o governo e passe a mirar diretamente o processo eleitoral brasileiro.

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