
O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, faz hoje o primeiro ato de campanha e escolheu como cenário um local que se tornou famoso por ser território da esquerda: a área em frente à Faculdade de Direito Largo do São Francisco da Universidade de São Paulo (USP), no centro da capital paulista. Ironicamente, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) optou pelo local que, historicamente, celebrou várias manifestações contrárias ao que defende, como recentemente houve manifestações em favor de punições mais rigorosas contra os participantes do 8 de Janeiro. Renan criticou o vandalismo, mas considera as penas impostas rígidas em excesso.
A pesquisa Quaest, divulgada anteontem, mostra que o candidato do Missão tem 4% das intenções de voto empatado tecnicamente com o candidatos Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás.
Às vésperas do evento, Renan apresentou seu plano de governo intitulado Livro Amarelo em que elencou as prioridades do seu governo, caso seja eleito. Em 14 capítulos e 51 páginas de resumo, ele sugere a reorganização do Estado, prioriza o ajuste fiscal, a segurança pública, a infraestrutura e medidas para aumentar a produtividade. Ao tratar da área social, propõe a "desfavelização" chamada de "chaga civilizacional", além da construção de "superpresídios" e o fim das cotas.
Megrapresídios
A ideia é incentivar a construção de moradias, relacionando habitação à urbanização, infraestrutura, segurança, mobilidade e reorganização territorial. Segundo o texto, é possível superar as condições urbanísticas que caracterizam esses territórios como favelas. O "plano de desfavelização" tem relação direta com a segurança pública.
Para Renan, a alternativa para inocular o poder dos líderes de organizações criminosas é colocá-los em grandes unidades de segurança máxima, construídas em regiões mais afastadas. Como exemplo, o plano sugere o Centro de Confinamento do Terrorismo — um superpresídio construído pelo presidente Nayib Bukele, de El Salvador, bastante controvertido por ser alvo de violações dos direitos humanos.
Menos municípios
O candidato propõe uma "grande consolidação municipal" para reduzir de 5.570 municípios para 1.656, "combinando contiguidade geográfica, complementaridade econômica e capacidades fiscais" entre vizinhos. No Nordeste, ele criar Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) — com regras tributárias, regulatórias e administrativas diferenciadas para atrair investimentos. Cita os polos mencionados estão regiões ligadas a Suape, Pecém, Araripe e Aratu-Camaçari.
O plano se divide em três blocos: "Estado Novo", "Reformas de Base" e "País do Futuro". Renan propõe, também, alterações no pacto federativo, na educação, na saúde, nos programas sociais e na cultura. Na área fiscal, ele pretende desvincular certos benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo. A proposta é corrigir pela inflação.
Em relação à saúde pública, Renan sugere o "SUS Fila Zero", modificando a marcação de consultas, exames e procedimentos. A ideia é priorizar o estado geral do paciente: a referência seria o nível de gravidade. Mais uma vez, El Salvador é usado como referência por meio do programa DoctorSV, plataforma utilizada para os serviços públicos oferecidos.

Esportes
Diversão e Arte
Política
Política