
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mira os eleitores indecisos para evitar uma maior abstenção e tentar garantir uma vitória já no primeiro turno. Integrantes da equipe do petista avaliam que associar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à possibilidade de retomada do projeto político do pai e ex-presidente Jair Bolsonaro pode ser uma estratégia para alcançar esse eleitorado.
A avaliação dentro da sigla é de que, entre aqueles que já definiram seus votos, há pouco espaço para mudanças. O foco, portanto, passa a ser os indecisos, com comparações entre os governos Lula e Bolsonaro. A ideia, segundo um interlocutor, é apresentar os crescimentos e avanços registrados durante as gestões petistas em contraposição ao que considera retrocessos e desmontes promovidos pela administração Bolsonaro.
A estratégia também passa por reforçar a ideia de que a eleição não representa apenas uma escolha entre dois nomes, mas entre projetos distintos de país. Nesse cenário, a campanha do presidente pretende explorar a memória recente do eleitorado e resgatar resultados econômicos e sociais do atual governo, ao mesmo tempo em que procura relembrar medidas adotadas durante a gestão anterior.
Nas coxias da campanha, a leitura é de que a disputa entra agora em uma etapa em que cada ponto percentual pode fazer diferença. Com uma parcela do eleitorado ainda sem uma decisão consolidada, o desafio do líder petista é transformar a vantagem entre os votos já definidos em uma maioria capaz de reduzir a possibilidade de segundo turno.
Para isso, a equipe de Lula avalia intensificar a comunicação voltada a esse público nas próximas semanas, apostando em mensagens mais diretas e na comparação entre as duas administrações, uma espécie de "artilharia digital". A avaliação é de que, diante de um eleitorado mais dividido e menos disposto a mudar de posição, a capacidade de convencer quem ainda não escolheu um candidato será determinante para o desfecho da disputa.

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