Investigação

Dino vê indícios de pagamento para silenciar testemunha no MA

Decisão do STF aponta suspeita de repasses à família de homem condenado por homicídio para ocultar possível participação de Daniel Brandão no caso

Para Dino, o conjunto de elementos reforça a necessidade de aprofundar a apuração sobre a atuação de Brandão no caso  -  (crédito: Rosinei Coutinho/STF)
Para Dino, o conjunto de elementos reforça a necessidade de aprofundar a apuração sobre a atuação de Brandão no caso - (crédito: Rosinei Coutinho/STF)

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta indícios de que integrantes de um grupo investigado no Maranhão teriam criado um sistema de pagamentos para garantir o silêncio de Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado pelo homicídio de João Bosco, ocorrido em 2022. Segundo a investigação, os repasses também teriam como finalidade impedir que viesse à tona a participação de Daniel Brandão nas tratativas que antecederam o crime.

De acordo com a Polícia Federal, após a prisão de Gilbson, familiares dele passaram a receber auxílio financeiro recorrente. A investigação descreve pagamentos em espécie, custeio de despesas e repasses indiretos realizados por integrantes e intermediários do grupo. A suspeita é de que o esquema tenha sido mantido para evitar que o condenado revelasse informações sobre uma reunião realizada no edifício Tech Office, em São Luís.

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Entre os elementos considerados por Dino está o depoimento do pai de Gilbson, que afirmou ter recebido aproximadamente R$ 160 mil em dinheiro vivo. Segundo o relato incorporado à decisão, os valores teriam sido entregues por pessoas ligadas aos investigados. A decisão também menciona a promessa de pagamento de milhões de reais em imóveis como parte das vantagens oferecidas em troca do silêncio.

A Polícia Federal também identificou mensagens e conversas que, segundo a decisão, indicariam a preocupação dos envolvidos em evitar que familiares de Gilbson procurassem diretamente Daniel Brandão no Tribunal de Contas. Um intermediário teria recomendado que os contatos fossem feitos de maneira reservada, sob o argumento de que uma reunião dentro do TCE-MA poderia gerar exposição do conselheiro.

Para Dino, o conjunto de elementos reforça a necessidade de aprofundar a apuração sobre a atuação de Brandão no caso e sobre uma possível ligação dele com o uso de verbas provenientes de emendas parlamentares federais para pagamentos ilícitos. O ministro também cita suspeitas envolvendo empresas das quais o conselheiro é ou foi sócio e que são investigadas por possível desvio de dinheiro público.

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postado em 17/08/2026 15:25 / atualizado em 17/08/2026 15:25
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