
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o total de candidatos pretos e pardos (49,82%) superou o de brancos (48,73%) nestas eleições. Esta é a segunda vez na história dos pleitos nacionais que isso acontece — a primeira foi em 2022, quando a representação negra atingiu 50,27%, contra 48,18% de candidaturas brancas.
O crescimento registrado nos últimos anos foi impulsionado, principalmente, por pessoas pretas. Desde 2014, pessoas pardas ocupam cerca de 35% a 36% dos registros de candidatos aos pleitos nacionais. Do outro lado, pessoas negras eram representadas por 9,25% das candidaturas em 2014 e chegaram a 14,12% em 2022. Em 2026, são 13,64%. Indígenas equivalem a 0,93% e amarelos, a 0,52%.
O escopo parte de 2014 pois, naquele ano, por pressão do movimento negro, o TSE passou a exigir a declaração racial no registro de candidaturas. No Censo de 2022, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que a maior parte da população brasileira (45,3%) se declarou parda. Na época, 43,5% se declararam brancos e 10,2%, pretos. Outros 0,6% se declararam indígenas e 0,4%, amarelos.
Embora representem a maioria das candidaturas no país, pretos e pardos ocupam pouco espaço na corrida pela Presidência da República. Ao todo, são apenas três nomes: Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP). A chefia do Executivo é disputada, predominantemente, por candidatos brancos, que somam 10 concorrentes, enquanto amarelos e indígenas não possuem representantes.
A sub-representação se repete nas disputas para os governos estaduais, onde brancos lideram com 111 candidaturas ao governo, contra 79 de pretos e pardos. A representatividade negra e parda só se torna majoritária nos cargos legislativos: Senado (117), Assembleias Legislativas (5.683) e Câmara dos Deputados (3.700).
Os dados do TSE revelam ainda uma divergência ideológica entre os grupos: a maioria dos candidatos pardos está filiada a partidos de direita e centro-direita — como PL, Novo e Podemos — enquanto os candidatos pretos concentram-se, predominantemente, em legendas de esquerda, a exemplo do PT, PDT e PSol.
Recorde feminino
Das mais de 20 mil candidaturas registradas para as eleições de 2026, 34,82% são de mulheres, enquanto os homens representam a maioria, com 65,18%. Embora o percentual feminino seja o maior da série histórica — mantendo-se acima do patamar de 30% desde 2014 — o volume absoluto de candidatas caiu em relação aos pleitos nacionais anteriores. Em 2014, foram mais de 8 mil registros femininos. Em 2018, superou 9 mil. E, em 2022, alcançou o pico de 9.890 candidaturas.
Em 2026, o perfil majoritário das candidatas é composto por mulheres brancas (45,97%) e pardas (34,96%), na faixa etária de 45 a 49 anos (18,09%), solteiras (40,45%) com Superior Completo (60,12%). São também, em sua maioria, empresárias (8,61%) e advogadas (8,15%). As principais concentrações partidárias são no PL (7,52%), MDB (6,85%) e Republicanos (6,01%).
A ampla maioria dessas mulheres concorre a vagas nos Legislativos estadual (53,43%) e federal (39,05%). Na disputa pela Presidência da República, foram registradas apenas duas candidaturas femininas — Samara Martins (UP) e Clariana Zacarkim Barão (DC) — metade do volume observado em 2022.
Já o total de pessoas com deficiência que registraram candidaturas registrou um aumento tímido de apenas 10 postulantes em relação ao pleito nacional de 2022, atingindo 499 candidatos. A maioria concorre às vagas de deputado estadual (53,31%) e federal (39,08%).

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