
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, criticou nesta quarta-feira (19/8) a expansão de cursos de Medicina no país e afirmou que a abertura indiscriminada de faculdades tem contribuído para uma formação profissional de baixa qualidade. A declaração foi feita durante o 34º Congresso das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, em Brasília. Caiado participou do evento ao lado do candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab.
Ao abordar os principais problemas que, na avaliação dele, devem estar no centro do debate eleitoral, o ex-governador de Goiás citou juros, violência, saúde e educação. Na área médica, o candidato, que é formado em medicina e especializado em ortopedia, afirmou que a proliferação de cursos sem critérios rigorosos transformou o ensino em um modelo voltado principalmente à cobrança de mensalidades, sem garantir a preparação adequada dos estudantes para o exercício da profissão.
Caiado também questionou a capacidade prática de parte dos profissionais que chegam ao mercado após a graduação. Segundo ele, há médicos que concluem o curso sem domínio suficiente de procedimentos básicos, como a realização de anamnese, exame clínico e diagnóstico diferencial. O candidato defendeu que a formação seja acompanhada por mecanismos mais rígidos de avaliação da competência dos recém-formados.
Médico formado pela Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Caiado também fez mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante o discurso, ele relacionou a qualidade da formação profissional à assistência oferecida à população e criticou a influência de interesses políticos na destinação de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
As críticas apresentadas pelo candidato dialogam com propostas previstas em seu plano de governo para a educação. O documento prevê o aumento das exigências de avaliação, além do fechamento ou da reestruturação de cursos que apresentem resultados insuficientes de forma recorrente. A proposta também menciona mudanças na formação de profissionais de diferentes áreas, incluindo a saúde, com maior aproximação entre ensino, pesquisa, prática profissional e demandas da sociedade.
A declaração ocorre em meio à preparação das campanhas para a eleição presidencial de 2026, quando Caiado tenta ampliar a discussão sobre saúde e educação como eixos de sua candidatura. No congresso das Santas Casas, o candidato também associou os problemas do sistema de saúde à necessidade de combater o que classificou como “populismo” e de aprimorar os critérios de aplicação dos recursos públicos destinados ao setor.

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