O Brasil decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina e não reintegrará o embaixador Júlio Glinternick Bitelli a Buenos Aires. A informação foi confirmada ao Correio pelo Itamaraty na noite desta terça-feira (4/8).
Com a decisão, a representação brasileira na Argentina passará a ser conduzida por um encarregado de negócios, autoridade que ocupa uma posição diplomática inferior à de embaixador.
Na prática, isso significa que a embaixada continuará funcionando, mas sem um embaixador brasileiro como principal representante do país. Vale lembrar que a medida não representa um rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, mas sinaliza uma redução significativa no nível do diálogo oficial entre os dois governos.
Bitelli já está no Brasil. Ele havia sido chamado para consultas no fim de julho, após uma série de ataques do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante participação na convenção do PL, em São Paulo.
Na ocasião, Milei chamou Lula de “ladrão” e “corrupto”, além de fazer críticas ao governo brasileiro. Dias depois, em entrevista ao canal argentino LN+, Milei voltou a atacar o brasileiro e repetiu os termos usados anteriormente. Segundo o Clarín, essa foi a quarta vez que Milei utilizou esse tipo de classificação contra Lula.
Portanto, a decisão do governo brasileiro ocorre após uma escalada de tensão que vinha se acumulando entre os dois países.
O governo brasileiro também comunicou a decisão ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi. O diplomata recebeu uma nota de protesto na qual foram apresentados os motivos para o rebaixamento das relações. O futuro de Raimondi no Brasil dependerá agora de uma decisão do governo argentino.
