O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a elevar o tom contra o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nessa sexta-feira, ao classificá-lo de "bolsonarista" e "latino-americano frustrado". O chefe do Executivo ressaltou que o integrante do governo Donald Trump "odeia o Brasil". As declarações ocorreram em agenda no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), no mesmo dia em que o Senado dos Estados Unidos aprovou a indicação do republicano Daniel Perez para a embaixada em Brasília.
Ao comentar a atuação de Rubio na administração Trump, Lula fez referência à origem cubana do secretário e afirmou que ele adota posições negativas em relação ao Brasil e a outros países da América Latina. Na avaliação do presidente brasileiro, a postura do assessor norte-americano ajuda a explicar parte da dificuldade de diálogo entre os dois governos.
"Trump tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o Marco Rubio. Eu disse para o Trump: esse moço não gosta do Brasil. Ele é um anti-latino-americano, ou um latino-americano frustrado. Ele é um descendente de cubano em Miami, então, ele odeia. Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil", disparou. "Ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump."
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As críticas de Lula ocorrem em um momento de forte tensão na relação entre Brasília e Washington. Desde que Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, o governo federal tem buscado negociar uma saída para reduzir os impactos das medidas sobre as exportações. A ofensiva comercial norte-americana, porém, foi acompanhada de outras ações que ampliaram o desgaste diplomático.
Lula relembrou a reunião que teve com Trump na Casa Branca e afirmou que apresentou ao presidente norte-americano documentos relacionados à balança comercial entre os dois países. Segundo o petista, após o encontro, representantes do governo brasileiro mantiveram contatos frequentes com integrantes da administração norte-americana na tentativa de avançar nas negociações.
O presidente afirmou, porém, que não recebeu o retorno esperado. "E aí, fiquei esperando, não teve telefonema, mas veio pela imprensa um tarifaço", afirmou o chefe do Planalto, ao citar o aumento das tarifas aplicadas pela gestão norte-americana.
Além da disputa tarifária, a relação bilateral foi afetada pela suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Na terça-feira, o Departamento de Estado norte-americano comunicou a decisão, atribuindo a medida ao que classificou como demora do governo brasileiro em conceder o agrément, autorização diplomática, para a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador dos EUA no Brasil.
Nessa sexta-feira, o Senado dos Estados Unidos aprovou o nome de Perez. O aval, contudo, não significa que ele já possa assumir a função em Brasília. Antes disso, o governo brasileiro precisa analisar e conceder o agrément. O procedimento é parte do rito tradicional de nomeação de embaixadores e não representa uma medida de retaliação ou uma etapa criada em razão da crise atual.
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