A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltaram a aparecer juntos, nessa terça-feira, em Brasília, durante as primeiras gravações para a campanha presidencial. O encontro entre os dois é o primeiro presencial desde o conflito que expôs divergências entre integrantes da família Bolsonaro, em junho. Michelle chegou ao local das gravações no início da tarde e participou de vídeos ao lado do enteado e de outros candidatos do partido. Depois dos registros, afirmou que os dois conversaram e se abraçaram.
O episódio que provocou o afastamento veio a público em 24 de junho, quando Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais nos quais afirmou ter sido desrespeitada e "humilhada" por Flávio durante uma conversa por telefone. A divergência começou a partir de posições diferentes sobre a articulação do PL no Ceará, especialmente em relação ao apoio do partido à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual.
A ex-primeira-dama havia se manifestado contra a aliança e, segundo seu relato, recebeu uma ligação ríspida do enteado. À época, ela afirmou que Flávio teria dito que seria melhor que ela ficasse fora das decisões partidárias e que havia "chegado ontem" à política.
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Quase dois meses depois, Michelle adotou um tom conciliador ao falar sobre o reencontro. "Colocamos uma pedra na desavença. Qual família é perfeita, né?", afirmou. Em seguida, disse que os dois conseguiram superar a divergência em torno de um objetivo comum. "Mas graças a Deus, conversamos, nos unimos em prol de algo muito maior para nossa nação."
Ela também afirmou que não guarda ressentimentos. "Meu coração é limpo", frisou. "Eu acho que as coisas vão se ajustando aos poucos."
A declaração sinaliza uma tentativa de reduzir o peso político do episódio justamente no momento em que a campanha de Flávio começa a organizar sua estrutura para a disputa presidencial.
Apesar da reaproximação, Michelle indicou que sua participação presencial na campanha deverá ser limitada. Ela afirmou que poderá ajudar Flávio principalmente pelas redes sociais e por meio da mobilização feminina construída ao longo dos últimos anos. "Ele pode contar comigo nas redes sociais e contar também com a força feminina que está espalhada pelo Brasil", afirmou.
Segundo ela, a rotina também é condicionada à situação do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. "Nesse momento de campanha, nesse momento também com o meu marido em casa, eu deixo nas mãos da nossa secretária, coordenadora Ana", disse.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto. Flávio reuniu em Brasília candidatos de diferentes estados para produzir vídeos destinados às campanhas locais e à candidatura presidencial. Entre os presentes estava o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido para ocupar a vice na chapa.
Ao comentar a composição para a campanha, Michelle afirmou que preferia uma mulher como vice. O nome dela chegou a ser cogitado dentro do grupo, assim como o de outras mulheres do PL. "É claro que eu, como representante das Mulheres de Bem do Brasil, gostaria que fosse uma mulher", afirmou. Apesar disso, afirmou que apoiará Gaspar caso ele tenha uma atuação voltada às mulheres e a grupos específicos. "Mas como a Damares falou, se for um vice que vai realmente ter um olhar especial para as mulheres, para as mães atípicas, para as mamães com pessoas com deficiência. Enfim, parabéns. A gente está junto, apoiando, e vai dar tudo certo."
Defesa
Enquanto Michelle e Flávio buscam demonstrar unidade, outro assunto envolvendo a chapa domina: a possibilidade de substituição de Alfredo Gaspar. Questionado sobre os rumores, o pré-candidato à Presidência classificou como "farsa" a acusação de estupro de vulnerável envolvendo o deputado.
"Essa farsa que foi montada contra o Alfredo foi exatamente no momento em que ele estava ali defendendo os aposentados, roubados pelo governo do PT, inclusive pedindo a prisão do Lulinha", afirmou Flávio, em referência à atuação de Gaspar como relator da CPMI do INSS. Ele descreveu o vice como "a pessoa do bem, a pessoa preparada, da área da segurança pública" e disse que ele representa a chapa no Nordeste.
A acusação contra Gaspar veio a público durante a CPMI, em março, quando parlamentares atribuíram a ele envolvimento em um caso de estupro de vulnerável relacionado a uma adolescente que teria 13 anos à época. Gaspar nega o crime e afirma que a história apresentada contra ele envolve um primo. O deputado se submeteu à coleta de material genético para exame e recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra os parlamentares que fizeram as acusações, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB).
A situação permanece em apuração. A Procuradoria-Geral da República pediu novas diligências no procedimento antes de apresentar uma manifestação definitiva.
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