O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (14/8), que um eventual quarto mandato terá entre suas prioridades um salto na educação, o fortalecimento da soberania nacional e a transformação de minerais críticos e terras raras no próprio Brasil. As declarações foram dadas em entrevista às comunicadoras dos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.
Ao falar sobre educação, Lula questionou o fato de o Brasil ter criado sua primeira universidade federal apenas décadas depois de outros países da América do Sul. Para o presidente, o atraso foi resultado de uma visão histórica das elites brasileiras de que os mais pobres não precisavam ter acesso ao ensino superior.
“Eu fico perguntando, por que o Brasil só foi ter a sua primeira universidade federal 420 anos depois da descoberta?”, afirmou.
Lula disse que pretende usar uma eventual nova passagem pela Presidência para aproximar o país do padrão de nações desenvolvidas. Segundo ele, o caminho passa necessariamente pela educação e pela formação em áreas consideradas estratégicas. “Eu agora quero levar o Brasil ao padrão dos países altamente desenvolvidos. E começa pela educação”, declarou.
O presidente defendeu investimentos em engenharia, matemática e inteligência artificial, além da ampliação da oferta de cursos e da formação de profissionais nessas áreas. “Não há exemplo no mundo de qualquer país que tenha sido desenvolvido sem antes investir na educação”, disse.
Lula também apontou a soberania e a defesa nacional como uma segunda prioridade para um eventual quarto mandato. Segundo ele, o cenário internacional, marcado por conflitos e disputas, exige que o Brasil proteja seus recursos naturais e suas fronteiras.
O presidente citou a presença de minerais críticos e terras raras no território brasileiro, além das reservas de água doce, da biodiversidade e das extensas fronteiras terrestre e marítima. “Essa é uma coisa que estamos levando muito a sério”, afirmou.
Lula defendeu que o país não se limite a extrair e exportar minerais críticos, mas desenvolva capacidade industrial para transformá-los em território nacional. “Nós não queremos apenas tirar a terra rara. Nós queremos transformá-la e não queremos vender ela. Queremos fazer as coisas daqui”, afirmou. Para o presidente, a estratégia permitiria agregar valor aos recursos naturais brasileiros antes de sua comercialização.
Inclusão social
Durante a entrevista, Lula também falou sobre a necessidade de conscientizar a sociedade sobre políticas voltadas às populações mais pobres. O presidente rejeitou a ideia de que governos devam implementar políticas sociais esperando uma recompensa eleitoral. “Governar não é você fazer uma coisa e achar que o povo vai te pagar com voto. E eu não trabalho assim”, afirmou.
Lula comparou as políticas de inclusão social ao cuidado de uma mãe com os filhos e defendeu que as ações do Estado priorizem quem mais necessita. “O nosso denguinho primeiro é fazer com que as pessoas mais humildes saiam e subam um degrau na escala social”, disse.
O presidente citou programas e políticas criados durante seus governos, como Brasil Sorridente, Farmácia Popular e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), para argumentar que sua experiência com a população mais pobre influenciou a criação dessas iniciativas. “Essa coisa só pode ser criada porque entende como é que vive o andar de baixo”, afirmou.
Institutos Federais
Lula também destacou a expansão dos Institutos Federais como exemplo de ampliação do acesso à educação. Segundo ele, quando chegou à Presidência, em 2003, havia 140 instituições desse tipo no país.
O presidente citou a criação do primeiro Instituto Federal em 1909 e afirmou que, ao longo de um século, o número chegou a 140. Em seguida, mencionou a expansão promovida durante os governos petistas e afirmou que o país deverá chegar a 782 unidades.
