ELEIÇÕES 2026

Gilmar Mendes chama filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão de 'bug'

Ministro do STF minimizou episódio de filiação partidária irregular, descartou impacto sobre a segurança das eleições e afirmou que sistemas eletrônicos estão sujeitos a falhas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como uma “pane” e um “bug” a filiação indevida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao partido Missão. O episódio provocou uma crise envolvendo a legenda e levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspender temporariamente o sistema de filiações partidárias. Para o decano do Supremo, o caso não coloca em dúvida a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

“Todos nós estamos suscetíveis a essas armadilhas que a eletrônica nos prega”, afirmou Gilmar em declaração ao jornal TMC 360. Segundo o ministro, o episódio teria sido resultado de uma falha pontual e não estaria relacionado à integridade das urnas ou do sistema de votação. “Os jovens diriam: ‘Isso foi uma pegadinha, né?’ Um bug”, acrescentou.

A manifestação ocorre em meio à investigação sobre como o nome de Flávio foi incluído nos registros do Missão sem autorização. O TSE informou que não houve invasão ou hackeamento da plataforma de filiação partidária. Segundo a corte eleitoral, o procedimento foi realizado por alguém que possuía credenciais de acesso vinculadas à legenda. O presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, determinou a abertura de investigação para esclarecer a autoria e as circunstâncias do episódio.

Gilmar também aproveitou o caso para defender a confiabilidade da Justiça Eleitoral. “Nós temos o sistema mais confiável do mundo”, declarou. A suspensão temporária da ferramenta de filiações foi adotada pelo TSE como medida preventiva, com o objetivo de verificar a segurança do sistema e evitar novas alterações indevidas enquanto o episódio é apurado.

O Missão afirma ter sido vítima de uma tentativa fraudulenta de filiação e comunicou o caso às autoridades. A legenda informou que tentou cancelar o registro e procurou integrantes da campanha de Flávio. O senador, por sua vez, afirmou que seu gabinete interpretou as mensagens relacionadas à filiação como spam. A apuração também identificou registros de acesso, horário e local utilizados na operação.

As investigações apontam ainda para um integrante do próprio Missão com função diretiva na legenda como possível responsável pela inclusão do nome de Flávio. As informações foram encaminhadas à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Nesta sexta-feira (14/8), o partido também acionou formalmente o TSE e informou que entregará registros internos para perícia e auditoria. Apesar das suspeitas, a autoria definitiva e a motivação da filiação ainda dependem da conclusão das investigações.

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