Relações exteriores

Amcham defende diálogo com EUA e alerta para riscos de retaliação

Entidade empresarial diz que 90,5% das empresas defendem ampliar negociações e alerta que eventuais contramedidas podem elevar custos e afetar investimentos e cadeias produtivas

Entidade defende a preservação de uma relação econômica
Entidade defende a preservação de uma relação econômica "equilibrada, previsível e mutuamente benéfica" entre Brasil e EUA - (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) defendeu nesta sexta-feira (14/8) que o governo brasileiro priorize as negociações com os Estados Unidos, após abrir o processo previsto na Lei de Reciprocidade Econômica. Para a entidade, a medida deve ser conduzida com cautela para evitar uma escalada das tensões comerciais entre os dois países.

Em nota, a Amcham afirmou que, diante da importância da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos, “o caminho prioritário deve ser a intensificação do diálogo de alto nível e das negociações entre os dois governos”. O objetivo, segundo a entidade, é reduzir as sobretaxas em vigor, evitar novas restrições e preservar o comércio e os investimentos bilaterais.

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A posição é respaldada por uma pesquisa recente realizada pela própria entidade com empresas. Segundo o levantamento, 90,5% das companhias consultadas defendem o reforço do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos, enquanto apenas 3,2% consideram a adoção de medidas de reciprocidade como estratégia preferencial.

A entidade também ressaltou que o início do procedimento não significa que o Brasil tenha decidido retaliar os Estados Unidos. “A abertura do procedimento de reciprocidade não representa, neste momento, decisão pela adoção de contramedidas pelo Brasil”, afirmou.

O rito prevê consultas diplomáticas com o governo norte-americano, análise do enquadramento das medidas e consulta pública antes de uma eventual decisão. Para a Amcham, o processo deve ser conduzido com “equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa de seus potenciais impactos”, além de garantir ampla participação do setor empresarial.

A associação também se posicionou contra a adoção de eventuais contramedidas neste momento. Segundo a Amcham, uma resposta brasileira poderia “elevar custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos” e aumentar o risco de uma escalada comercial e política com Washington.

Para a entidade, esse cenário poderia reduzir o espaço para negociações e “tornar mais difícil alcançar uma solução negociada”. A Amcham afirmou que continuará trabalhando com empresas e autoridades dos dois países para tentar superar as divergências. A entidade defende a preservação de uma relação econômica “equilibrada, previsível e mutuamente benéfica” entre Brasil e Estados Unidos.

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postado em 14/08/2026 15:06 / atualizado em 14/08/2026 15:10
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