O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado terá de transformar experiência administrativa em voto e fazer seu nome atravessar as fronteiras do estado que governou. Seu principal obstáculo é o baixo conhecimento nacional: pesquisas recentes mostram Caiado ainda distante dos líderes da disputa, com 4% das intenções de voto no levantamento CNT/MDA divulgado na semana passada.
A campanha trabalha com três grandes eixos para apresentar o candidato ao eleitor como candidato cuja aprovação como governardor chegou perto dos 90% — segurança, saúde e prosperidade. A escolha combina áreas nas quais Caiado pretende explorar sua experiência como governador e médico com uma agenda econômica voltada ao setor produtivo. O plano de governo reúne propostas para 26 áreas e será a base para a comunicação eleitoral.
A segurança é tratada como uma das principais armas eleitorais. Caiado tenta nacionalizar o discurso adotado em Goiás e se apresentar como candidato capaz de endurecer o combate ao crime organizado. Entre as propostas estão novos presídios de segurança máxima, medidas contra facções e uma legislação específica para organizações criminosas. O candidato também defende uma atuação integrada com países vizinhos e chegou a citar o promotor Lincoln Gakiya como nome que gostaria de ter à frente da segurança pública.
Na saúde, a estratégia é explorar a formação médica de Caiado e oferecer uma agenda capaz de aproximá-lo de problemas cotidianos do eleitor. O programa foi elaborado com participação do ex-ministro Henrique Mandetta e reúne cerca de 40 propostas. Entre as ideias estão a criação de estruturas regionais para concentrar atendimento especializado e medidas para melhorar a integração dos sistemas municipais. A campanha pretende usar o tema para construir uma imagem de gestor, e não apenas de candidato identificado com a pauta de segurança.
A terceira frente é a economia. Caiado tem priorizado encontros com empresários de setores, como indústria, infraestrutura, agronegócio, comércio e serviços. Em São Paulo, o candidato apresentou propostas econômicas e buscou se colocar como alternativa ao atual governo e ao campo bolsonarista. Também passou a mencionar nomes que poderiam integrar uma eventual equipe econômica, como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.
A televisão será outra arma para tentar resolver o principal problema da candidatura: tornar Caiado conhecido. A campanha aposta que as inserções ao longo da programação terão capacidade de alcançar públicos que ainda não foram atingidos pelas redes sociais. O cálculo é compensar a menor presença digital e furar as chamadas bolhas políticas, apresentando o candidato diretamente ao eleitor.
Nos bastidores, o PSD também tenta transformar a chapa com Gilberto Kassab em um ativo político. Presidente nacional do partido e candidato a vice, Kassab atua na interlocução com empresários e no debate sobre alianças. A legenda aposta que a dificuldade de outros nomes do centro em formar alianças pode abrir espaço para Caiado. Ao mesmo tempo, o discurso de campanha procura posicioná-lo fora da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O cálculo eleitoral é ganhar tração nas próximas semanas. A combinação de televisão, agenda econômica, propostas setoriais e uma mensagem forte em segurança pretende transformar conhecimento em intenção de voto. A corrida, portanto, começa para Caiado com uma batalha específica: antes de convencer o eleitor a votar nele, será preciso fazer com que uma parcela maior do país saiba quem é o candidato e qual projeto ele representa.
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