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Caiado critica juros e diz que vai conter publicidade de bets

Durante evento, candidato do PSD defendeu ainda a manutenção do Bolsa Família e negou divergências após troca na comunicação

O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou a política de juros do governo federal e falou sobre medidas para pequenos negócios e apostas esportivas nesta terça-feira (18/8). As declarações foram dadas a jornalistas após participação no encontro com presidenciáveis promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), em Brasília.

Questionado sobre propostas para ampliar o acesso ao crédito para pequenos negócios, Caiado afirmou que o setor enfrenta um cenário de forte endividamento. Segundo ele, não adianta criar medidas específicas para cada segmento enquanto o custo do crédito permanecer elevado.

“Hoje é preferir você ser rentista do que você ser empresário”, afirmou. Para o candidato, o problema não deve ser tratado de forma isolada, por setores, mas como uma questão que afeta a economia brasileira como um todo. “O assunto de um presidente da República não pode tratar nenhum segmento agora de forma fatiada. Ele tem que tratar o Brasil”, declarou.

O candidato também afirmou que a taxa de juros real praticada no país é incompatível com a atividade produtiva.  “Eu não conheço nenhum país do mundo que sobreviva com uma taxa de juros real de 9%. Real”, afirmou. 

Bets

Caiado também foi questionado sobre as apostas esportivas e sobre o que faria com as bets caso fosse eleito presidente. Ele afirmou que pretende adotar medidas para conter a publicidade das plataformas e investigar a origem dos recursos movimentados pelo setor.“Está dentro do meu plano as medidas iniciais que eu vou tomar, contendo o processo de propaganda exaustiva que está levando as pessoas a essa prática”, afirmou.

O candidato também citou a atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Receita Federal para acompanhar a origem dos recursos movimentados pelas plataformas. Caiado voltou a associar as apostas ao problema da ludopatia e afirmou que pretende enfrentar os impactos da atividade sobre a população. 

Bolsa família

Questionado sobre o Bolsa Família, Caiado afirmou que pretende manter o programa e defendeu que a transferência de renda seja acompanhada por políticas de educação e qualificação profissional. “O Bolsa Família sempre será mantido. Isso não é política de candidato à Presidência da República, é política de Estado”, afirmou.

Para Caiado, a política social deve ter como objetivo ampliar a autonomia financeira dos beneficiários. Ele defendeu investimentos em educação, formação técnica e profissionalização para aumentar a mobilidade social.  “O que se quer de uma política social é emancipação das pessoas. O que você quer com a política social é levar renda às pessoas”, disse.

Caiado também criticou os governos do PT e afirmou que o país não conseguiu promover mobilidade social suficiente nas últimas duas décadas. Durante a fala, citou uma pesquisa apresentada no evento segundo a qual a possibilidade de uma pessoa sair da pobreza e chegar à classe média alta seria de 2,9%. 

Troca de marqueteiro

O candidato também negou que tenha havido divergências com o publicitário Paulo Vasconcelos, que deixou a equipe de comunicação de sua campanha. A assessoria do PSD anunciou, na noite de segunda-feira (17/8), que Marcos Carvalho assumiria a função.

A mudança ocorreu em meio a especulações sobre divergências na estratégia de comunicação da campanha, especialmente em relação à postura de Caiado diante de outros candidatos do campo da direita. Caiado, porém, negou qualquer conflito e afirmou que a mudança ocorreu porque uma candidatura presidencial exige dedicação exclusiva. “Zero. Não teve nenhuma divergência. Não procede esse entendimento”, afirmou. Segundo ele, Marcos Carvalho assumiu a campanha sem interrupção e a equipe continua trabalhando normalmente.

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