
O candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, classificou nesta terça-feira (18/8) como uma “política de sabotagem” a ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra ele por declarações sobre povos indígenas do Baixo Tapajós, no Pará. A fala ocorreu durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis.
Renan afirmou que os protestos indígenas contra medidas relacionadas às hidrovias amazônicas prejudicavam projetos de infraestrutura. Segundo ele, a mobilização seria estimulada por uma deputada indígena ligada ao petismo e ao PSOL, com apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu fui até lá, gravei um vídeo sobre isso, trouxe luz para esse tema nacionalmente e agora estou sendo acusado de uma pessoa que tem preconceito contra índios”, afirmou. O candidato também criticou o pedido de indenização feito pelo MPF.
“O Ministério Público Federal exige de mim uma retratação pública para as 14 etnias indígenas ali que supostamente eu ofendi e também um pagamento de R$ 500.000 para eles, obviamente porque, né, ninguém é de ferro, né, todo mundo precisa de um dinheirinho ali”, disse.
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Renan também atacou o Ibama e o ICMBio, que classificou como “órgãos de sabotagem nacional”, especialmente na área de infraestrutura. O candidato defendeu uma mudança no modelo de licenciamento ambiental e disse que essas instituições deveriam atuar como órgãos consultivos.
Na avaliação de Renan, o próximo presidente terá de garantir a implementação do licenciamento ambiental e enfrentar eventuais tentativas de impedir projetos de infraestrutura. Ele também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que o presidente eleito deverá indicar ministros comprometidos com a segurança jurídica.
Sobre a ação do MPF
Segundo o MPF, a ação foi apresentada na segunda-feira (17) contra Renan Santos e o Movimento Renovação Liberal, responsável pelo Movimento Brasil Livre (MBL). O órgão pede R$ 500 mil em indenização por danos morais coletivos devido a publicações nas redes sociais consideradas discriminatórias contra 14 etnias indígenas.
As manifestações ocorreram durante protestos e a ocupação do terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA), iniciados em janeiro deste ano. Os indígenas protestavam contra medidas de desestatização de hidrovias amazônicas.
De acordo com o MPF, Renan fez declarações com termos depreciativos contra os povos indígenas, além de questionar a identidade étnica das comunidades. O órgão afirma que a liberdade de expressão não protege discursos racistas ou manifestações que incentivem a discriminação.
A ação aponta que cerca de 22 mil indígenas de Santarém, Belterra e Aveiro foram atingidos. O grupo reúne 14 etnias representadas pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita).
O MPF também pediu a retirada imediata das publicações, a proibição de novos conteúdos ofensivos e multa diária de R$ 3 mil em caso de descumprimento. Entre as medidas de reparação está a publicação de um vídeo de retratação com duração mínima de 2 minutos e 57 segundos, além de uma campanha educativa durante seis meses.
Escala 6x1
Renan voltou a defender a manutenção da escala 6x1 e afirmou que pretende derrubar a proposta que prevê seu fim caso seja eleito. “Eu, dentre os presidenciáveis, sou o único a vir publicamente falar: vou derrubar esse projeto horroroso”, disse. Ele afirmou ainda que a discussão sobre o fim da escala 6x1 foi impulsionada por interesses eleitorais.
Para Renan, a aprovação da proposta seria resultado de uma “crise de liderança”. Ele defendeu uma agenda de produtividade, cortes no orçamento e mais recursos para investimentos em infraestrutura.

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