ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro: herdeiro político que assumiu a corrida pelo Planalto

Escolhido por Jair Bolsonaro para representar o bolsonarismo nas urnas, Flávio Bolsonaro chega à disputa presidencial com o desafio de manter a base eleitoral do pai e ampliar apoio entre setores da direita

Aos 45 anos, o senador Flávio Nantes Bolsonaro (PL-RJ) se tornou o nome oficial da direita bolsonarista na disputa pela Presidência da República. Filho mais velho do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, Flávio chega ao posto de candidato numa eleição marcada pela ausência do pai, inelegível e preso desde a condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na trama golpista que buscou reverter o resultado das eleições de 2022.

Nascido em Resende, interior do Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1981, Flávio é formado em Direito pela Universidade Cândido Mendes. É casado com Fernanda Bolsonaro e tem duas filhas, Luíza e Carolina, nascidas em 2012 e 2014.

A entrada do primogênito de Jair Bolsonaro, também conhecido como 01, na vida política, aconteceu ainda muito jovem. Ele assumiu a função de assistente técnico de gabinete na liderança do PPB, atual PP, na Câmara dos Deputados, cargo que ocupou entre dezembro de 2000 e junho de 2002. 

Em 2002, aos 21 anos, Flávio foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, onde permaneceu por quatro mandatos consecutivos, entre 2003 e 2019. Na Assembleia Legislativa fluminense (Alerj), Flávio também presidiu a Comissão Especial de Planejamento Familiar. Em 2016, tentou a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC e terminou a disputa em quarto lugar.

O salto para a política nacional veio em 2018, mesmo ano que Jair foi eleito presidente da República. Flávio disputou o Senado pelo Rio de Janeiro, então filiado ao PSL, e venceu com mais de 4,3 milhões de votos, cerca de 31% dos votos válidos. Em novembro de 2019, Flávio deixou o PSL e se filiou ao PL em 2021, junto com o pai, após divergências internas na legenda.

O sucessor

A ascensão de Flávio à cabeça de chapa presidencial não aconteceu após uma disputa interna aberta, como é de praxe, mas de uma escolha pessoal de Jair Bolsonaro. Em 2025, enquanto estava internado no hospital DF Star, em Brasília, o ex-presidente escreveu uma carta anunciando a indicação do filho como seu representante na corrida de 2026. Flávio leu a carta para a imprensa, que aguardava atualizações acerca do quadro de saúde de Jair do lado de fora do hospital, e descreveu o pai como o "maior líder político e moral" do país.

A candidatura de Flávio Bolsonaro foi oficializada em 25 de julho de 2026, em convenção nacional do Partido Liberal no estádio do Pacaembu, em São Paulo, que reuniu milhares de apoiadores. O evento teve a presença do presidente argentino Javier Milei e usou vídeos com inteligência artificial (IA), incluindo uma simulação da imagem de Jair Bolsonaro pedindo que os eleitores apoiem o filho na corrida eleitoral. 

Michelle Bolsonaro (PL-DF), madrasta do candidato e candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal, não compareceu ao evento que oficializou Flávio, mas enviou uma mensagem em vídeo, gesto que foi lido como num aceno após semanas de atrito público entre os dois em torno de articulações do partido no Ceará. Mais tarde, em Brasília, Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado como candidato a vice do senador.

Polêmicas na trajetória política

A carreira de Flávio é acompanhada, desde o início, por investigações que nunca resultaram em condenação, mas que continuam sendo pauta na campanha. O caso mais conhecido é o da chamada "rachadinha". Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o então deputado estadual teria comandado um esquema de apropriação de parte dos salários de assessores do gabinete que comandava na Alerj entre 2007 e 2018.

De acordo com a acusação, as movimentações financeiras eram intermediadas por Fabrício Queiroz, ex-assessor e amigo da família Bolsonaro. Em 2020, o MP denunciou Flávio e outras 15 pessoas por organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita. No entanto, em 2021 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou parte das provas do caso, argumentando que Flávio teria direito a foro privilegiado pelo cargo de senador, decisão que acabou por suspender o avanço da apuração. Em 2024, o Supremo confirmou a ilegalidade de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) usados na investigação original. 

O tema voltou à tona em 2024 e no fim de 2025, quando reportagens ligaram o caso a uma reunião de 2020 na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde Jair Bolsonaro, enquanto presidente, discutia com auxiliares formas para monitorar possíveis investigações contra o filho. 

O cenário eleitoral

Seguindo o legado construído por Jair Bolsonaro, Flávio se consolida como o principal opositor de Lula nas pesquisas eleitorais, à frente de outros nomes de direita como Roaldo Caiado (PSD). Segundo o levantamento Datafolha mais recente, de 21 de agosto, Lula somou 39% das intenções de voto em um primeiro turno contra 33% de Flávio, com o petista à frente também no segundo turno (47% a 43%). 

Apesar de estar à frente dos concorrentes de mesma vertente ideológica, Flávio enfrenta resistência dentro da própria direita. Parte do chamado “centrão” e setores do mercado financeiro seguiam com a expectativa de uma possível candidatura de Tarcísio de Freitas, visto como nome mais competitivo por analistas políticos. Além disso, o sucessor de Jair enfrentou dificuldades para convencer aliados políticos do pai, o que refletiu na dificuldade para encontrar um vice, diante da política de neutralidade adotada por partidos historicamente aliados do PL, como União Brasil, Progressistas e Republicanos.

Apesar das dificuldades para convencer, Flávio Bolsonaro herda uma base fiel de eleitores construída por Jair Bolsonaro e se apresenta como a garantia de continuidade do projeto político do pai, num momento em que Bolsonaro está impedido de disputar eleições. Seguindo os passos de Jair, no lançamento da candidatura Flávio atacou os governos do PT citando corrupção, inflação, carga tributária e segurança pública, buscando se apresentar como opositor direto de Lula. 

Entre as bandeiras que tem levantado publicamente estão o endurecimento do combate ao crime organizado, a oposição a políticas ambientais que classifica como excessivas e a construção de uma aliança estratégica com o governo dos Estados Unidos, inclusive no setor de terras raras. Na visão do candidato do PL, o Brasil deve ser parceiro prioritário de Washington diante do domínio chinês sobre minerais raros.

Qual é o número de Flávio Bolsonaro na urna?

Flávio Bolsonaro concorre à Presidência da República pelo PL. O número na urna é 22.

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