ELEIÇÕES 2026

Lula busca estratégia para neutralizar crise do STF nas eleições

Conflito entre ministros do STF Mendonça e Moraes foi comentado pelo presidente e candidato à reeleição por vídeo nas redes sociais que pede reformas no Judiciário e critica "vazamentos seletivos"

Ao passo que a campanha de Lula o orienta a se afastar da crise no STF, aliados do petista veem no endosso a políticas e bandeiras defendidas pelo governo o melhor caminho para conquistar votos. Essa receita foi adotada pelo presidente, na noite deste domingo (6/9), em pronunciamento oficial em cadeia nacional de rádio e TV, em alusão ao 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil -  (crédito: Adriano Machado/Reuters)
Ao passo que a campanha de Lula o orienta a se afastar da crise no STF, aliados do petista veem no endosso a políticas e bandeiras defendidas pelo governo o melhor caminho para conquistar votos. Essa receita foi adotada pelo presidente, na noite deste domingo (6/9), em pronunciamento oficial em cadeia nacional de rádio e TV, em alusão ao 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil - (crédito: Adriano Machado/Reuters)

A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê com cautela a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) protagonizada pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, em meio à divulgação de investigações envolvendo a atuação do então sócio do Banco Master, Daniel Vorcaro.

A orientação, segundo conversas de bastidores entre o PT e integrantes do governo, é afastar o petista de possíveis embates ou de alguma aproximação com figuras do STF. Publicamente, os comentários de Lula sobre a crise no STF limitaram-se a defender bandeiras como a reforma no judiciário e a crítica do que chamou de "vazamentos seletivos".

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Essas ações, publicada por Lula na semana passada, não citaram nomes dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além do procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Ao evitar citar nomes, o entendimento da campanha é que o candidato à reeleição se blindaria de possíveis ataques da oposição, que vê em Lula a figura de um presidente próximo a ministros do STF, como Alexandre de Moraes.

Eleitoralmente, a campanha do petista calcula que essa possível associação entre Lula e Moraes seria um potencial fator de perda de votos na corrida eleitoral. A ação de Lula pelo afastamento público do escândalo da Suprema Corte, no entanto, não teve o mesmo tom nas conversas privadas do presidente.

Na semana passada, o presidente e candidato à reeleição se reuniu fora da agenda com o ministro Gilmar Mendes, do STF. Ao magistrado, Lula demonstrou preocupação com o impacto do episódio sobre a imagem institucional do Supremo. Além de Gilmar, Lula cumpriu agenda com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para sanção de atos normativos relacionados a fundos do sistema de Justiça.

Bandeiras do governo

Ao passo que a campanha de Lula o orienta a se afastar da crise no STF, aliados do petista veem no endosso a políticas e bandeiras defendidas pelo governo o melhor caminho para conquistar votos. Essa receita foi adotada pelo presidente, na noite deste domingo (6/9), em pronunciamento oficial em cadeia nacional de rádio e TV, em alusão ao 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil.

Na fala, que durou 3 minutos e 43 segundos de duração, Lula abordou a soberania nacional, a valorização de riquezas nacionais e o objetivo de perseguir a justiça social. Em linha com a campanha à reeleição do petista, o presidente enfatizou a ideia de proteção ao patrimônio nacional e destacar potenciais estratégicos de materiais brasileiros como o petróleo — achado pela Petrobras na Margem Equatorial —, além de minerais críticos e terras raras. 

Sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula defendeu a relação de livre-comércio entre os países. O presidente também relacionou os festejos do 7 de Setembro com uma ideia de independência para que o trabalhador tenha mais tempo fora do ofício.

Considerada bandeira de campanha à reeleição do presidente, a proposta que põe fim à escala 6x1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, porém não foi levada à votação de todos os parlamentares. Embora tenha sofrido esse revés, o governo Lula espera aprovar a PEC no Senado logo após o primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro.

 

 

  • Google Discover Icon
postado em 06/09/2026 23:13
x