
O desgaste provocado pela polarização política ganhou espaço entre os eleitores brasileiros às vésperas da eleição de 2026. É o que aponta a 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta terça-feira (8/9). Segundo o levantamento, 43% dos entrevistados que reconhecem a existência de uma disputa polarizada afirmam estar cansados ou desconfortáveis com esse cenário. Em 10 de agosto, eram 36%.
A pesquisa também mostra que a percepção de que a polarização interfere na corrida presidencial aumentou no período. Agora, 71% dos entrevistados dizem concordar que a eleição de 2026 está sendo impactada pelo ambiente político, contra 65% na rodada anterior. A parcela que discorda dessa avaliação caiu de 24% para 21%.
Entre aqueles que reconhecem a polarização, 15% afirmam estar confortáveis com ela, ante 17% em agosto. Outros 13% se dizem indiferentes, contra 12% anteriormente, enquanto 9% não souberam ou não responderam. A soma dos grupos que se mostram confortáveis, indiferentes ou cansados indica que, embora a maioria perceba a polarização, o incômodo com esse ambiente passou a ocupar uma parcela maior entre os entrevistados.
Para chegar a esse resultado, a Nexus primeiro perguntou se os entrevistados concordavam que a eleição de 2026 está sendo influenciada pela polarização política. Quem respondeu afirmativamente foi questionado, então, sobre como se sente diante desse cenário: confortável, indiferente ou cansado e desconfortável.
Desconforto aparece entre eleitores de diferentes candidatos
O incômodo não se concentra apenas nos dois principais polos da disputa. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no cenário estimulado de primeiro turno, 34% dizem estar cansados ou desconfortáveis com a polarização. Nesse grupo, 18% se declaram confortáveis e 17%, indiferentes; outros 22% não consideram que a polarização esteja afetando a eleição.
Entre os que optam por Flávio Bolsonaro (PL), o percentual de cansados ou desconfortáveis sobe para 42%. Outros 16% se dizem confortáveis e 11%, indiferentes, enquanto 24% discordam de que a polarização tenha impacto sobre a disputa.
O desconforto é ainda maior entre os apoiadores de candidatos que aparecem fora dos dois principais nomes. Entre os eleitores de Renan Santos (Missão), 67% relatam cansaço ou desconforto. O índice chega a 66% entre os que declaram intenção de votar no escritor Augusto Cury (Avante). Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 52% e Romeu Zema (Novo), com 48%. Considerando os eleitores de outros candidatos, o percentual alcança 72%.
A pesquisa também classificou os entrevistados em grupos de acordo com a relação que mantêm com o lulismo e o bolsonarismo. Entre aqueles definidos pela Nexus como “Anti-Lula e Anti-Bolsonaro”, 54% estão cansados ou desconfortáveis com a polarização. No grupo dos “não polarizados”, o índice é de 45%.
O percentual chega a 57% entre os eleitores classificados como “Bolsonaro como alternativa” e a 52% entre os que integram o grupo “Lula como alternativa”. Já entre os “bolsonaristas convictos”, 40% manifestam cansaço ou desconforto, enquanto entre os “lulistas convictos” são 39%.
A classificação utilizada pela Nexus considera a maneira como cada entrevistado se posiciona diante do antilulismo e do antibolsonarismo. A pesquisa identifica, além dos não polarizados, grupos como “lulistas convictos”, “bolsonaristas convictos”, “Lula como alternativa”, “Bolsonaro como alternativa” e “Anti-Lula e Anti-Bolsonaro”.
Como votam os eleitores cansados da polarização
O cruzamento entre o sentimento em relação ao ambiente político e a intenção de voto no primeiro turno mostra uma distribuição diferente daquela observada entre os eleitores que se sentem confortáveis ou indiferentes à polarização.
Entre os entrevistados que dizem estar cansados ou desconfortáveis, Flávio Bolsonaro aparece com 35% das intenções de voto, contra 32% de Lula. Augusto Cury tem 14%, Renan Santos, 7%, Ronaldo Caiado, 5%, e Zema, 2%. Outros candidatos somam 4%, enquanto 1% não soube ou não respondeu.
Já no grupo que reconhece a polarização, mas afirma estar confortável ou indiferente a ela, Lula lidera com 48%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Entre os entrevistados que não consideram que a polarização esteja influenciando a eleição, Lula registra 42% e Flávio, 40%.
A diferença também aparece em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores cansados ou desconfortáveis com a polarização, Flávio chega a 51%, enquanto Lula tem 37%. Já entre aqueles que reconhecem a polarização, mas se dizem confortáveis ou indiferentes, o presidente soma 53% e Flávio, 41%.
Polarização continua concentrando a corrida presidencial
Apesar do aumento no número de eleitores incomodados com a disputa política, os dados da pesquisa mostram que a eleição permanece concentrada nos dois principais nomes. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 35%. Augusto Cury registra 9%, Ronaldo Caiado e Renan Santos têm 4% cada, e Zema aparece com 1%.
No segundo turno entre Lula e Flávio, o senador aparece numericamente à frente pela primeira vez na série, com 46% contra 45% do presidente. A diferença, porém, está dentro da margem de erro e configura empate técnico.
Dados técnicos
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06790/2026.
As entrevistas foram realizadas entre 4 e 7 de setembro de 2026, por telefone, por meio do sistema CATI. Ao todo, foram ouvidos 2.002 eleitores. A amostra foi estruturada com controle de cotas de sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD.
O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

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