CRISE NO STF

Dino diz que decisão de Mendonça pode travar ‘centenas de investigações’

A decisão do ministro abre um novo capítulo na crise instalada no Supremo em torno dos relatórios produzidos pela Polícia Federal

Dino diz que decisão de Mendonça pode travar ‘centenas de investigações’ da PF; -  (crédito: Rosinei Coutinho/STF)
Dino diz que decisão de Mendonça pode travar ‘centenas de investigações’ da PF; - (crédito: Rosinei Coutinho/STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a decisão de André Mendonça que suspendeu atividades de inteligência da Polícia Federal (PF) pode impedir o andamento de “centenas de investigações” conduzidas pela corporação. Ao derrubar a medida nesta quarta-feira (9), Dino citou apurações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, venda de decisões judiciais e participação de agentes públicos em organizações criminosas para dimensionar os possíveis efeitos da paralisação.

A avaliação consta da decisão que determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial. Mendonça havia afastado os dois e determinado a suspensão da produção, elaboração ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados à análise de atos praticados no exercício de funções da magistratura, da advocacia pública e da polícia judiciária.

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Dino classificou a paralisação da produção de relatórios de inteligência como uma “medida inédita na história da corporação” e afirmou que a determinação já prejudicava procedimentos urgentes sob sua própria condução. Para o ministro, eventuais questionamentos de Mendonça sobre a atuação da PF deveriam ser apresentados à instância competente e não poderiam resultar na interrupção das atividades policiais.

Na decisão, Dino sustenta que a área de inteligência não atende exclusivamente às investigações que deram origem ao embate dentro do Supremo. Segundo ele, trata-se de uma atividade essencial ao Sistema Único de Segurança Pública e que não pode ser interrompida “ao alvedrio de um único magistrado”, sob risco de prejudicar trabalhos conduzidos por outros integrantes do Judiciário.

Para reforçar o argumento, o ministro elencou casos em que atribui papel relevante à Inteligência da PF. “O assassinato da vereadora Marielle Franco (com a participação de policiais), compras e vendas de decisões judiciais, uso ilegal de precatórios no mercado de capitais e financeiro, participação de magistrados e policiais em organizações criminosas, entre outros crimes gravíssimos, só foram ou têm sido esclarecidos em face da atuação da Inteligência da Polícia Federal”, escreveu.

“Dessa maneira, a sua suspensão, nos termos delineados pelo Ministro André Mendonça, impede o andamento de - quiçá - centenas de investigações, inclusive trabalhos e diligências em feitos da minha Relatoria”, afirmou.

Dino também criticou o que chamou de “caos administrativo imposto externamente à Polícia Federal” com o afastamento da direção da corporação. Segundo o ministro, não seria possível interromper investigações e diligências enquanto o Plenário do Supremo não analisa a controvérsia.

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AH
postado em 09/09/2026 09:32 / atualizado em 09/09/2026 09:32
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