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"Cada ministro tem um tribunal próprio", diz especialista sobre crise no STF

CEO da Dharma Political Risk and Strategy, Creomar de Souza acredita que o Judiciário vive um momento de embate político

De acordo com Creomar, o momento delicado enfrentado na Suprema Corte terá influência direta na decisão do eleitor em outubro -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
De acordo com Creomar, o momento delicado enfrentado na Suprema Corte terá influência direta na decisão do eleitor em outubro - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizou, desde a semana passada, políticos, candidatos, sociedade civil, e dividiu o Judiciário sobre o caso Master. Para o CEO da Dharma Political Risk and Strategy e professor da Dom Cabral, Creomar de Souza, os ministros do STF estão separados e transformaram a Corte em tribunais próprios, por meio de decisões “monocráticas”. O especialista foi entrevistado pelas jornalistas Denise Rothenburg e Sibele Negromonte, nesta quarta-feira (9/9), no CB.Poder. O programa é uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. 

“Analisando a lógica de tomada de decisão e o relacionamento político, observa-se que as estruturas e as decisões monocráticas transformam cada ministro em um tribunal próprio”, afirmou Creomar. 

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No último dia 1º, o ministro do Supremo André Mendonça retirou o sigilo de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, dias antes da prisão do banqueiro em novembro do ano passado. Como retaliação, Moraes acusou Mendonça de ter cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade no contexto do inquérito das fake news, no dia 3. Desde então, os ministros vivem um contra-ataque. 

Segundo Souza, esse momento revela uma divisão interna no STF. “De um lado, há um grupo liderado por Gilmar Mendes, com Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Cristiano Zanin; de outro, um grupo que se forma em torno de André Mendonça, com Cássio Nunes Marques e Luiz Fux. E há o presidente Edson Fachin em posição delicada, além da ministra Cármen Lúcia, buscando manter independência em um horizonte com risco de empates continuados pela falta do preenchimento de uma cadeira”, detalhou.

De acordo com o CEO, a situação terá influência direta na decisão do eleitor nestas eleições. A menos de um mês para o primeiro turno, ele entende que os brasileiros passam a duvidar da legitimidade da Suprema Corte, já que o governo Lula 3 se apoiou no STF “em momentos difíceis”. 

“Em uma dinâmica de ‘presidencialismo jurisdicional’, na qual Executivo e Judiciário atuaram juntos para manter a estabilidade, o governo recebe uma notícia ruim a cerca de 20 dias da eleição. A narrativa eleitoral de Lula não estava preparada para esse tema, estando focada em assuntos como soberania, esforço econômico, jornada 6x1 e o programa Desenrola”, argumentou. 

Assista ao programa na íntegra: 

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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postado em 09/09/2026 16:20 / atualizado em 09/09/2026 16:35
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