STF

Dark Horse: Dino autorizou novas diligências antes de afastamento de Andrei da PF

Decisão foi tomada cinco dias antes do ministro André Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues

Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei e Almada na última terça-feira (8) -  (crédito:  Gustavo Moreno/STF)
Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei e Almada na última terça-feira (8) - (crédito: Gustavo Moreno/STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, no último dia 3 de setembro, uma nova etapa das investigações da Polícia Federal sobre o caso Dark Horse, com medidas de busca e apreensão e outras diligências requeridas pelos investigadores. A decisão foi tomada cinco dias antes de o ministro André Mendonça, também do Supremo, determinar o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

A sequência dos acontecimentos passou a ser observada com atenção por integrantes do governo diante do impacto que a retirada dos dois delegados poderia provocar sobre investigações em andamento. O próprio Dino, ao determinar posteriormente a reintegração dos dois, registrou que uma mudança abrupta no comando da corporação poderia comprometer a continuidade dos trabalhos, o fluxo de informações e o cumprimento de determinações judiciais.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O caso sob relatoria de Dino investiga suspeitas envolvendo recursos de emendas parlamentares destinados a empresas relacionadas à produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF já havia sido autorizada a acessar e analisar materiais apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo e avançava sobre uma nova fase da apuração.

Foi nesse intervalo que Mendonça, na terça-feira (8), determinou o afastamento preventivo de Andrei e Almada. O ministro fundamentou a medida em suspeitas relacionadas à produção de relatórios de inteligência que teriam monitorado autoridades, entre elas o próprio magistrado. Mendonça classificou como grave a atuação atribuída ao setor de inteligência da corporação e sustentou a necessidade de impedir novos constrangimentos enquanto os fatos fossem apurados.

A proximidade entre os episódios, porém, despertou desconfiança entre fontes governistas ouvidas pela reportagem. A avaliação nesses setores é de que o afastamento da cúpula da PF pode ter relação com o avanço das investigações do Dark Horse e merece ser analisado à luz da operação que já havia sido autorizada por Dino.

Essas fontes chamam atenção, sobretudo, para o fato de a decisão de Mendonça ter atingido simultaneamente o diretor-geral e o responsável pela inteligência da PF poucos dias depois da autorização para novas diligências. Não há, até o momento, elemento público que comprove que o afastamento tenha sido determinado com a finalidade de interferir especificamente no caso Dark Horse. A suspeita é uma leitura feita por integrantes do governo a partir da cronologia e dos efeitos da medida sobre a estrutura da corporação.

Ao acolher o pedido e determinar a reintegração, Dino foi além e afirmou que os direitos alegados por Mendonça não poderiam servir de fundamento para uma decisão “em causa própria” com capacidade de “paralisar investigações e os trabalhos policiais”. O ministro também sustentou que a interrupção abrupta das atividades da direção e da inteligência da PF poderia atingir procedimentos urgentes sob sua relatoria e de outros integrantes da Corte.

  • Google Discover Icon
AH
postado em 10/09/2026 17:15 / atualizado em 10/09/2026 17:28
x