
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nessa sexta-feira, que o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, provoca uma crise de confiança nas instituições. Segundo o chefe do Executivo, o episódio exige uma discussão sobre uma reforma do Poder Judiciário, embora, na avaliação dele, seja necessário, primeiro, esclarecer as investigações em andamento.
Lula disse que o escândalo "contamina tudo" e afirmou que cinco ministros do STF estariam ligados, "direta ou indiretamente" ao episódio. Ele não citou nomes nem detalhou a natureza dessas supostas relações.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
"Obviamente que me preocupa, porque vamos ter que discutir como consertar isso. É preciso ter uma reforma do Judiciário, mas antes disso temos de resolver esse problema. Ali você tem cinco ministros que estão ligados direta ou indiretamente", declarou, em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, emissora dos Diários Associados.
- Conversas de Vorcaro citam filho de Nunes Marques e pagamento de R$ 500 mil
- Dino pede investigação sobre elo entre Master e Instituto ligado a Mendonça
- STF suspende sessão sobre Moraes por até 90 dias
O candidato à reeleição também afirmou que integrantes do STF devem observar elevados padrões éticos, e comparou a função de ministro da Corte a um "sacerdócio". "O que nós estamos defendendo é que quem vem para o Supremo não pode querer ser rico", frisou. Ele reiterou a defesa da atuação do ministro Alexandre de Moraes nas eleições de 2022 e na preservação da democracia. O magistrado está no centro do atual crise no STF. A Corte decidirá se abrirá uma investigação contra ele por suposto envolvimento com Vorcaro.
Ao tratar da origem das irregularidades atribuídas ao Master, Lula responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro e ressaltou que as apurações estão sendo conduzidas com cautela. "Nós estamos investigando com muita paciência", argumentou.
O presidente relatou ter recebido Vorcaro para uma conversa na qual o banqueiro teria alegado perseguição e dificuldades financeiras. E respondeu que a situação seria apurada e que apenas uma investigação poderia definir a regularidade das operações.
Segurança
Na entrevista, Lula defendeu uma redefinição das responsabilidades entre União, estados e municípios na área de segurança pública e afirmou que o governo federal trabalha para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabeleça, de forma mais clara, a participação da União no enfrentamento da criminalidade.
Segundo Lula, a Constituição de 1988 concentrou nos estados a responsabilidade direta pelas polícias Civil e Militar, e a proposta em discussão busca organizar a atuação conjunta dos diferentes entes federativos. O presidente apontou a experiência em andamento no Rio de Janeiro como um "plano piloto" que, caso apresente resultados, poderá ser ampliado para outras regiões do país.
De acordo com Lula, a estratégia está baseada em três eixos: sufocar a logística do crime organizado, recuperar territórios dominados pela criminalidade e ampliar a participação dos municípios na segurança pública, com apoio federal em áreas como inteligência e treinamento policial. "Não tem sentido o crime organizado e a bandidagem tomar conta da rua, da vila, do bairro, da escola, da igreja", afirmou.
Ele informou que o governo federal está estruturando, em conjunto com os estados, um aporte de R$ 10 bilhões destinado a ações de combate ao crime organizado. Segundo disse, o Executivo identificou 138 unidades prisionais sob influência de facções criminosas e pretende transformá-las em estabelecimentos de segurança máxima. Os recursos também deverão ser aplicados em inteligência e em mecanismos para restringir comunicações ilegais dentro dos presídios.
Ao comentar a situação do Rio de Janeiro, Lula classificou como "inconcebível" o cenário de violência e corrupção no estado, apesar de seu potencial econômico ligado ao turismo, à indústria e ao setor de petróleo.
O chefe do Executivo defendeu o combate a relações entre criminalidade e política e afirmou ser necessário "limpar a política e a polícia". Também declarou que integrantes da família Bolsonaro teriam ligação com milicianos e afirmou que há um candidato à Presidência associado a esses grupos. O presidente, no entanto, deu nomes ou evidências para sustentar as declarações.
Saiba Mais
Política
Política
Política
Política
Política