PRESIDÊNCIA

Outras primeiras-damas já foram defendidas pela AGU no Brasil

Janja não é a primeira esposa de presidente a receber defesa da advocacia pública; veja casos anteriores e como foram tratados

A primeira-dama Janja Lula da Silva, cujos gastos em viagens oficiais são defendidos pela AGU e questionados judicialmente -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
A primeira-dama Janja Lula da Silva, cujos gastos em viagens oficiais são defendidos pela AGU e questionados judicialmente - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

A Advocacia-Geral da União (AGU) tem 15 dias para explicar à Justiça Federal por que está atuando na defesa da primeira-dama, Janja Lula da Silva. A determinação judicial, emitida no Distrito Federal, responde a uma ação popular que questiona os gastos com as viagens internacionais de Janja. A cobrança de esclarecimentos coloca em evidência uma prática que não é nova no cenário político brasileiro.

A atuação da advocacia pública na defesa de primeiras-damas já aconteceu em governos anteriores. Em cada caso, o debate sobre o uso de recursos públicos para proteger uma figura que não possui cargo oficial foi reavivado. A principal justificativa da AGU costuma ser a de que ataques ao cônjuge do presidente representam, indiretamente, uma ofensa à Presidência da República.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Leia Mais

  • AGU pede arquivamento de ação contra gastos de Janja em viagens

  • Após orientação da AGU, Planalto divulgará agenda da primeira-dama Janja

  • PL cobra explicações sobre decreto que concede estrutura oficial à primeira-dama Janja

Histórico de defesas de primeiras-damas

Um dos casos mais emblemáticos envolveu Marisa Letícia, falecida esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a Operação Lava Jato, a AGU atuou em sua defesa em processos nos quais ela era investigada. Na época, a medida também gerou controvérsia e questionamentos sobre os limites da atuação do órgão em questões consideradas de âmbito pessoal.

Mais recentemente, no governo de Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também foi defendida pela AGU. A advocacia pública se manifestou em seu favor em um processo que pedia o ressarcimento de valores relacionados a um cheque depositado em sua conta por Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. O argumento da defesa institucional foi novamente utilizado.

Em ambas as situações, a AGU defendeu que a proteção legal era necessária para resguardar a imagem da Presidência. O entendimento é que ofensas ou acusações contra a primeira-dama poderiam desestabilizar ou manchar a instituição que seu marido representa. Essa linha de argumentação é a base para a atuação do órgão nesses casos.

Críticos, no entanto, argumentam que a primeira-dama não exerce uma função pública formal e, por isso, não deveria ser beneficiada com a estrutura do Estado. A ação popular contra os gastos de Janja, agora sob análise da Justiça, força a AGU a detalhar novamente os fundamentos legais que permitem essa prática, colocando o tema de volta ao centro do debate público.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

  • Google Discover Icon
postado em 22/09/2026 20:49 / atualizado em 22/09/2026 21:03
x