
A Advocacia-Geral da União (AGU) tem 15 dias para explicar à Justiça Federal por que está atuando na defesa da primeira-dama, Janja Lula da Silva. A determinação judicial, emitida no Distrito Federal, responde a uma ação popular que questiona os gastos com as viagens internacionais de Janja. A cobrança de esclarecimentos coloca em evidência uma prática que não é nova no cenário político brasileiro.
A atuação da advocacia pública na defesa de primeiras-damas já aconteceu em governos anteriores. Em cada caso, o debate sobre o uso de recursos públicos para proteger uma figura que não possui cargo oficial foi reavivado. A principal justificativa da AGU costuma ser a de que ataques ao cônjuge do presidente representam, indiretamente, uma ofensa à Presidência da República.
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Histórico de defesas de primeiras-damas
Um dos casos mais emblemáticos envolveu Marisa Letícia, falecida esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a Operação Lava Jato, a AGU atuou em sua defesa em processos nos quais ela era investigada. Na época, a medida também gerou controvérsia e questionamentos sobre os limites da atuação do órgão em questões consideradas de âmbito pessoal.
Mais recentemente, no governo de Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também foi defendida pela AGU. A advocacia pública se manifestou em seu favor em um processo que pedia o ressarcimento de valores relacionados a um cheque depositado em sua conta por Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. O argumento da defesa institucional foi novamente utilizado.
Em ambas as situações, a AGU defendeu que a proteção legal era necessária para resguardar a imagem da Presidência. O entendimento é que ofensas ou acusações contra a primeira-dama poderiam desestabilizar ou manchar a instituição que seu marido representa. Essa linha de argumentação é a base para a atuação do órgão nesses casos.
Críticos, no entanto, argumentam que a primeira-dama não exerce uma função pública formal e, por isso, não deveria ser beneficiada com a estrutura do Estado. A ação popular contra os gastos de Janja, agora sob análise da Justiça, força a AGU a detalhar novamente os fundamentos legais que permitem essa prática, colocando o tema de volta ao centro do debate público.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.