ELEIÇÕES 2026

Lula e Flávio entram na semana decisiva com estratégias para ampliar voto útil

De um lado, o petista aposta em medidas de apelo popular e no desgaste do adversário com o caso Banco Master. Do outro, o filho 01 de Bolsonaro tenta conter os efeitos da informação falsa envolvendo Nossa Senhora

Lula, vice e ex-ministros durante ato na Zona Leste de São Paulo -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Lula, vice e ex-ministros durante ato na Zona Leste de São Paulo - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

A uma semana das urnas, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) entram, neste domingo (27/9), na fase decisiva do primeiro turno com estratégias distintas para ampliar seus eleitorados e diminuir a dispersão de votos. De um lado, o petista aposta na presença nas ruas, em medidas de apelo popular e no desgaste do adversário com o caso Banco Master. Do outro, Flávio concentra esforços no Sudeste, intensifica o discurso pelo voto útil e tenta conter os efeitos da informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

A movimentação ocorre em um cenário apertado. O Datafolha mais recente mostra Lula com 40% das intenções de voto, ante 36% de Flávio. Augusto Cury (Avante) aparece com 5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. Em uma eventual segunda rodada, o chefe do Executivo registra 47%, contra 45% do senador — empate técnico dentro da margem de erro.

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É diante desses números que os dois principais candidatos chegam aos últimos sete dias tentando atrair o eleitorado de nomes com menor desempenho. Nos dois QGs, o voto útil ganhou espaço, embora exista o cuidado de não hostilizar adversários cujo apoio pode ser necessário caso a eleição vá ao segundo turno.

No entorno de Lula, a ordem é acelerar. A campanha definiu que o presidente deve visitar, em média, um estado por dia até 4 de outubro, com atenção especial ao Nordeste e ao Sudeste e incursões também pelo Norte. A leitura entre aliados é de que a presença nas ruas precisa caminhar junto à exploração de temas capazes de produzir contraste direto com Flávio.

Um dos principais movimentos ocorreu às vésperas da semana decisiva. Lula decidiu proibir as apostas on-line e rapidamente incorporou o assunto ao discurso eleitoral. Na sexta-feira, no Recife, ergueu um cartaz com a inscrição "fim das bets". Ontem, durante caminhada em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, voltou ao tema.

"Quem quiser ganhar dinheiro, que arrume um jeito honesto de ganhar, mas não matando o povo pobre, endividando o povo pobre, vendendo mentira", afirmou. Lula também classificou a ludopatia como uma "doença" e acrescentou que "ninguém fica rico apostando em jogo". "Quem fica rico é o dono", completou.

Em evento na Baixada Fluminense, ontem, Flávio voltou a chamar Lula de "pai do Tigrinho" e "pai do cassino on-line". Durante o discurso, ele também afirmou que Lula estaria "desesperado" e disse acreditar que vencerá a eleição no primeiro turno. "É porque ele está vendo que a gente vai ganhar esta eleição, e vai ser no primeiro turno."

A estratégia do líder petista é levar o assunto das bets para a última semana como uma medida de proteção, principalmente, da população de baixa renda. O movimento se soma à outra frente escolhida por ele para desgastar o adversário: o Banco Master.

No Recife e em São Paulo, Lula relacionou Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e também voltou a explorar o escândalo envolvendo descontos irregulares no INSS. A aposta do entorno presidencial é manter esses temas no centro do discurso ao longo dos próximos dias. O terceiro eixo é a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos, explorada pelo presidente para reforçar o discurso de soberania nacional.

Do lado de Flávio, a estratégia territorial passa principalmente pelo Sudeste. A campanha concentra esforços em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os três maiores colégios eleitorais do país, enquanto busca reduzir a dispersão de votos entre candidaturas menores de direita e centro-direita.

A campanha do senador mira principalmente eleitores de Cury, Caiado, Renan e outros nomes à direita. O desafio é convencê-los de que a disputa já está polarizada sem criar atritos que dificultem futuras alianças. Nos bastidores, aliados apostam que parte dessa migração, esperada naturalmente para um eventual segundo turno, pode ser antecipada para 4 de outubro.

Bets e Nossa Senhora

Se Lula chega à reta final tentando transformar o fim das bets em ativo eleitoral, Flávio abriu uma ofensiva para conter o desgaste provocado pela informação falsa de que, caso eleito, retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Flávio não é autor de qualquer proposta com esse objetivo e não há registro de que tenha defendido a medida. O projeto que deu origem à controvérsia, porém, existiu. Foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli, que anos depois se tornou aliado do bolsonarismo e chegou a ser assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro. A proposta foi arquivada em 2008.

A ligação de Galli com o bolsonarismo ajudou a alimentar a associação nas redes, embora não haja evidência de que Flávio defenda a proposta. Diante da repercussão, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classificou o conteúdo que atribui a intenção ao senador como "notoriamente inverídico" e determinou sua remoção pelas plataformas.

Internamente, aliados de Flávio reconheceram preocupação com a dimensão alcançada pelo episódio nas redes. Integrantes da campanha chegaram a tratar a repercussão como uma "bomba atômica", embora avaliem que a resposta rápida pode limitar os danos. A preocupação está especialmente no impacto entre católicos, segmento no qual Lula registra desempenho superior ao adversário.

A reação de Flávio, por isso, foi além do desmentido. A campanha tenta transformar o episódio em uma ofensiva contra o campo governista e pediu a abertura de investigação contra políticos e perfis que disseminaram a informação.

A investida chegou ao Palácio do Planalto. A defesa apresentou notícia-crime contra George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, acusado de compartilhar publicação que incentivava a continuidade da circulação da informação falsa.

Os advogados pediram a prisão preventiva do servidor, busca e apreensão de celulares e computadores e, caso a prisão não seja concedida, seu afastamento cautelar do cargo. Marques afirmou que não concorda com o conteúdo e que o compartilhamento, caso tenha ocorrido, foi involuntário.

 

  • Flávio Bolsonaro e aliados durante motocarreata em São João de Meriti, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro
    Flávio Bolsonaro e aliados durante motocarreata em São João de Meriti, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro Foto: Charles Vieira/Divulgação
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    A movimentação ocorre em um cenário apertado. O Datafolha mais recente mostra Lula com 40% das intenções de voto, ante 36% de Flávio Foto: Ricardo Stuckert/PR-Minervino Júnior/CB-Montagem: Gemini
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AH
postado em 27/09/2026 04:00
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