O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta quarta-feira (16/9), o julgamento do Supremo Tribunal Federal que decidiria sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por envolvido com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Para Lula, a crise no Judiciário "não é uma coisa boa, pois significa que o mafioso chamado Vorcaro envolveu todo mundo".
O presidente e candidato à reeleição também elogiou Moraes, afirmando que ele fez um "trabalho extraordinário para garantir a democracia, prendendo o Bolsonaro e os golpistas". Em seguida, Lula defendeu que quem "comete delito tem que pagar" e apurar o caso com "bastante seriedade".
“Todo mundo que cometeu erro em qualquer área tem que ser julgado. O que defendo é um julgamento justo, com o direito de defesa. Mas a pessoa que cometer delito tem que pagar o preço. Isso vale pra mim, para o Alexandre de Moraes, para o Fachin”, disse Lula em entrevista ao canal do YouTube e podcast Desce a Letra Show.
Lula destacou, ainda, que o ministro Edson Fachin, presidente do STF, tem a responsabilidade de não permitir que a crise na Corte "atrapalhe o processo eleitoral".
O presidente também defendeu reforma no Judiciário, acampanhada de uma reforma na política, descrita por ele como "apodrecida". "Não tem como mais não discutir isso. A imagem não está boa", citou.
Julgamento no STF
Um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu, na terça-feira (16/9), a análise da Petição (Pet) 16662, referente a relatório produzido pela Polícia Federal, no âmbito do caso Master. A petição tem origem em relatório elaborado pela PF a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que aponta supostos diálogos que teriam relação com o ministro Alexandre de Moraes.
Já a Pet 16704 se baseia em relatório de inteligência da PF que sugere irregularidades na condução do caso Master pelo relator, ministro André Mendonça. O ministro Gilmar Mendes sugeriu tramitação conjunta dos casos. O placar no STF ficou 4 x 3 a favor da análise conjunta. Além disso, Gilmar propôs o sorteio de novo relator para as Pets, hoje sob a relatoria do ministro Edson Fachin, presidente da Corte.
O decano da Corte também pediu a identificação e a certificação, nos autos, de todos os magistrados mencionados nas investigações relacionadas ao caso Master que apresentem indícios de recebimento indevido de valores do banco e a abertura de prazo para manifestação do procurador-geral da República e dos juízes citados.
