O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22/9), para enviar uma série de recados sobre soberania, interferência estrangeira, democracia e a própria capacidade da ONU de responder às crises internacionais. A fala ocorreu em Nova York, na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral, tradicionalmente iniciada pelo Brasil.
Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula fez da defesa da soberania brasileira um dos principais eixos do pronunciamento. Em meio às tensões recentes entre Brasília e Washington, o petista afirmou que o país não aceita ser tratado como área de influência de outra potência.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento”, afirmou.
O recado ocorre em um momento de atritos entre os dois governos e às vésperas das eleições brasileiras. Na tribuna, Lula associou a defesa da soberania à preservação das instituições democráticas e advertiu sobre a participação de atores estrangeiros em disputas internas de outros países.
“Os países da região reconheceram os horrores do regime de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Podemos presenciar a ingerência externa em projetos eleitorais”, disse.
A declaração dialoga diretamente com uma preocupação que já vinha sendo manifestada pelo governo brasileiro: a tentativa de interferência externa no processo eleitoral. Antes mesmo da viagem a Nova York, a diplomacia brasileira indicava que Lula defenderia o princípio da não intervenção e o respeito às decisões soberanas de cada país.
Outro alvo foi o funcionamento das próprias Nações Unidas. Lula abriu sua participação com críticas à perda de capacidade da organização para responder às guerras e tensões internacionais, sobretudo diante do imobilismo do Conselho de Segurança.
“Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, comentou o presidente ao abordar a dificuldade da ONU de proteger populações vulneráveis e atuar diante dos conflitos. A reforma do Conselho de Segurança é uma reivindicação histórica da diplomacia brasileira e voltou a ocupar espaço central no pronunciamento.
Ao falar de soberania, democracia e ingerência estrangeira a poucos dias do primeiro turno, o presidente transportou para o principal palco diplomático mundial temas que também estão no centro da disputa política brasileira.
