
O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira (2/10) que o partido está disposto a ouvir e incorporar propostas de candidatos de outras forças políticas em um eventual segundo turno da eleição presidencial. Segundo ele, o diálogo deve incluir até mesmo candidaturas de direita que, na avaliação do dirigente, defendam a democracia.
“Mesmo candidaturas à direita valorizam a democracia e querem um Brasil democrático. Temos que abrir esse diálogo — ou nós vamos cair como país da intolerância”, afirmou Edinho, durante entrevista em um hotel em São Paulo.
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O dirigente também confirmou que Lula participará dos debates no segundo turno. O presidente não participou dos debates com os demais candidatos durante o primeiro turno. Segundo Edinho, o petista pretende ter um confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL), apontado como seu adversário em um eventual segundo turno. “Ele quer que o povo enxergue a diferença entre o Brasil que o Flávio defende e o Brasil que ele representa”, disse.
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Ao comentar a estratégia eleitoral, Edinho afirmou que a campanha de Lula não disputa apenas contra um candidato, mas contra um sentimento de mudança existente entre os eleitores. Para o dirigente, esse movimento poderia beneficiar diferentes nomes que eventualmente ocupassem o espaço de Flávio Bolsonaro.
“Não estamos disputando com o Flávio, mas com esse sentimento de mudança. Tanto que, quando você tira o Flávio e põe o Caiado, Cury, todos crescem, porque nosso adversário é esse sentimento. Por isso que temos que debater que o único capaz de fazer mudanças é o Lula”, afirmou.
Edinho se mostrou confiante na estrutura da campanha para um eventual segundo turno. Segundo ele, o PT trabalha desde 2025 para organizar alianças e palanques regionais nos estados. “Nós vamos ter uma estrutura muito forte de campanha no segundo turno com aliados e outras alianças que poderemos ampliar, mas com estruturas mais montadas no 1º turno. Estou muito confiante de que, em termos de estrutura de campanha, o presidente Lula sai muito na frente em relação ao adversário [Flávio Bolsonaro]”, declarou.
Cenários estaduais
O presidente do PT também projetou os possíveis resultados das disputas pelos governos estaduais. Nos estados onde o partido lançou candidatos, Edinho citou expectativas de segundo turno no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais, além de uma possível vitória no primeiro turno no Piauí.
Entre os aliados, mencionou perspectivas de avanço no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas e Paraná. Também citou a possibilidade de vitória no primeiro turno de candidatos apoiados pelo partido em Sergipe e no Pará.
Em São Paulo, onde Fernando Haddad (PT) aparece atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas pesquisas de intenção de voto, Edinho classificou a campanha do petista como “brilhante” e apostou em uma movimentação do eleitorado na reta final. “Se eu fosse o Tarcísio, eu respeitaria muito o Haddad nessa reta final de campanha. Porque a polarização vai se dar. Pode ter uma movimentação importante do eleitorado de São Paulo”, afirmou.
A dois dias das eleições, Edinho também falou sobre as expectativas do PT para a composição do Congresso Nacional. Na Câmara, o dirigente afirmou esperar que a bancada do partido passe dos atuais 69 deputados para pelo menos 80.
Segundo ele, a federação partidária pode ampliar ainda mais a representação do grupo. No Senado, a estratégia defendida pelo presidente do PT é formar uma maioria com partidos que considera integrantes do “campo democrático”.
“Podemos ser o partido que mais cresce ou estarmos entre os que mais crescem na Câmara dos Deputados. Com a federação, podemos crescer uns outros 20 parlamentares. Para enfrentar essa quadra histórica no Senado, temos que fazer alianças com o campo democrático para impedir o crescimento dessa direita de inspiração fascista”, declarou.
Críticas a Trump
Durante a entrevista, Edinho também criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar suspeitas de interferência estrangeira no Brasil. O dirigente chamou Trump de “o maior líder fascista do século XXI” e afirmou que outros países deveriam reagir ao que classificou como interferência em processos eleitorais.
“O Brasil vai ficar passivo? Se fizéssemos isso lá [nos EUA], certamente a CIA já estaria operando, a Interpol estaria operando para nos investigar. O mundo tem que enfrentar essa concepção que o Trump tem disseminado. Ele tem interferido em eleições na Europa, na América Latina. O Brasil é a maior democracia direta do mundo, e eu acho que tem que ser respeitado como tal”, afirmou.
Edinho também criticou o fechamento dos trabalhos consulares e da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil na quinta-feira (1º), anunciado por supostas “questões de segurança”. “Fechar os consulados é inédito, não tem o menor sentido, é uma das formas que o Trump tem para disputar a opinião pública no Brasil”, declarou.
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