
Eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 191.371 votos, Rick Azevedo (PSol) afirma que pretende levar para o Congresso a experiência de quem passou anos submetido à escala 6x1. Ex-balconista de farmácia, função que exerceu por 12 anos, o parlamentar eleito diz que a chegada à Câmara representa a presença da classe trabalhadora no Legislativo e que a aprovação da proposta que prevê o fim da jornada 6x1 será a principal prioridade do mandato. “Eu fui balconista de farmácia por 12 anos, vivi escala 6x1, trabalhei em feriado, fim de semana e sei o que é não ter tempo para a própria vida”, frisa, em entrevista ao Correio.
Azevedo diz que a atuação parlamentar será concentrada em pautas relacionadas ao trabalho e às condições de vida dos trabalhadores. Além do fim da escala 6x1, ele cita a valorização dos salários, o fortalecimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o combate à pejotização e ao trabalho análogo à escravidão, a saúde mental no ambiente de trabalho, a melhoria do transporte público e a ampliação do acesso à universidade. Para o deputado eleito, a redução da jornada deve ser tratada como uma mudança nas relações de trabalho e não apenas como uma alteração no número de dias trabalhados. “A prioridade número um é aprovar o fim da escala 6x1 e garantir uma jornada que devolva dignidade, convivência familiar, saúde e tempo de vida ao povo trabalhador”, disse.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
A proposta deve enfrentar uma disputa política no Congresso, onde a discussão sobre a redução da jornada divide parlamentares e setores empresariais. Azevedo afirma, no entanto, que a força da pauta está na mobilização de trabalhadores que passaram a discutir publicamente os efeitos da escala sobre a vida pessoal e familiar. O movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado por ele, foi responsável por ampliar a campanha pelo fim da 6x1 nas redes sociais e nas ruas. “Essa proposta não nasceu em gabinete. Nasceu da revolta de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que não aguentam mais perder a vida para o trabalho”, citou.
O deputado eleito diz que a pressão da sociedade deverá continuar durante a tramitação da proposta e será necessária para evitar que o tema perca espaço no Legislativo. Azevedo afirma que parlamentares precisarão se posicionar diante da cobrança dos trabalhadores e considera que a mobilização em torno da pauta já ultrapassou os limites de grupos específicos. “A luta pelo fim da 6x1 já ganhou o país e não vai voltar para a gaveta”, declarou. Segundo ele, “nenhum parlamentar pode se sentir confortável em votar contra o direito de o povo ter vida além do trabalho”, pontua.
A trajetória profissional de Azevedo é parte central de seu discurso político. Antes de disputar uma vaga na Câmara, ele trabalhou durante 12 anos como balconista de farmácia e passou pela rotina de trabalho em fins de semana e feriados. A experiência é usada pelo parlamentar eleito para justificar a defesa de uma jornada com mais tempo de descanso. Para ele, a discussão sobre a escala 6x1 envolve também questões como convivência familiar, saúde e possibilidade de estudar e ter atividades fora do trabalho. Azevedo afirma que pretende manter esse vínculo com os trabalhadores durante o mandato e levar a discussão para além do plenário da Câmara.
No cenário eleitoral, Azevedo declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O deputado eleito afirmou que a candidatura adversária se posiciona contra o fim da escala 6x1 e contra a ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores. Em relação a Lula, Azevedo disse que o presidente representa um projeto que, em sua avaliação, colocou a classe trabalhadora no centro do debate político. A manifestação ocorre em meio à disputa sobre os rumos da política trabalhista e econômica do país.
Azevedo afirma que pretende combinar a atuação institucional na Câmara com mobilização fora do Congresso. A estratégia inclui participação em manifestações, presença nas redes sociais e diálogo direto com trabalhadores. “Minha atuação será nas ruas, nas redes e em cada espaço de diálogo, mostrando que essa eleição não é distante da vida real”, afirmou. Para o deputado eleito, o objetivo é transformar a mobilização construída em torno do fim da escala 6x1 em pressão política pela aprovação da proposta e de outras medidas relacionadas ao mercado de trabalho.
Política
Política
Política