Eleições 2026

Big techs no radar de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

Nos bastidores do governo brasileiro, atuação das plataformas digitais e pressão de Washington contra a regulação das redes sociais alimentam preocupação sobre o impacto dos algoritmos na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

A preocupação envolve a possibilidade de redução do alcance de publicações da esquerda e maior circulação de conteúdos associados à extrema direita  -  (crédito: Panos Sakalakis/Unsplash)
A preocupação envolve a possibilidade de redução do alcance de publicações da esquerda e maior circulação de conteúdos associados à extrema direita - (crédito: Panos Sakalakis/Unsplash)

A possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 ganhou uma nova frente de preocupação nos bastidores de Brasília: a atuação das grandes empresas de tecnologia e o poder dos algoritmos sobre a circulação de conteúdos políticos.

Interlocutores envolvidos nas discussões sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos avaliam que a resistência de Washington à regulamentação das plataformas digitais precisa ser observada também sob a perspectiva eleitoral, sobretudo diante da capacidade dessas empresas de ampliar ou restringir a visibilidade de determinadas correntes políticas.

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O temor é de que mecanismos pouco transparentes de distribuição de conteúdo possam interferir no equilíbrio da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), especialmente em um cenário de polarização e de crescente dependência das redes sociais para a comunicação das campanhas.

A preocupação envolve a possibilidade de redução do alcance de publicações de integrantes da esquerda, enquanto conteúdos associados à extrema direita encontrariam condições mais favoráveis de circulação.

A avaliação se insere em um contexto mais amplo de desconfiança sobre os movimentos da administração de Donald Trump em relação ao processo eleitoral brasileiro.

Segundo apurações anteriores do Correio, interlocutores da diplomacia brasileira já vinham acompanhando iniciativas de Washington interpretadas como tentativas de exercer pressão política sobre Brasília. Entre os pontos observados estavam o uso de instrumentos econômicos, manifestações de integrantes da ala Maga e a repercussão de movimentos diplomáticos em meio à corrida presidencial.

Nesse ambiente, a regulamentação das big techs passou a ocupar uma posição estratégica. O embate, que oficialmente envolve questões como liberdade de expressão, responsabilidade das plataformas e moderação de conteúdo, também tem implicações sobre o controle dos mecanismos responsáveis por determinar quais publicações chegam a milhões de brasileiros. A resistência norte-americana às iniciativas brasileiras de regulação é vista, nessa leitura, como um fator que pode preservar a autonomia das empresas sobre decisões capazes de influenciar o debate público.

A principal preocupação não está necessariamente na remoção de publicações, mas naquilo que ocorre sem conhecimento dos usuários. Alterações nos critérios de recomendação, mudanças nas regras de distribuição e diferentes tratamentos conferidos a conteúdos políticos podem modificar significativamente a visibilidade de uma candidatura, mesmo sem qualquer decisão explícita de censura. Trata-se de um terreno particularmente sensível porque os critérios utilizados pelas plataformas não são integralmente conhecidos pelo público nem pelas autoridades eleitorais.

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AH
postado em 09/10/2026 11:10 / atualizado em 09/10/2026 11:11
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