Eleições 2026

Nunes Marques convoca campanhas em meio à disparada de ações judiciais

Senador encaminhará novo relatório sobre "Exército do Lula", após área técnica do TSE não identificar notícias falsas no canal

"Atropelo" do ministro Nunes Marques sobre grupo de WhatsApp pró-Lula será levado a uma apreciação "urgente" do plenário virtual da Corte - (crédito: Leobark Rodrigues/Secom/TSE)

A menos de duas semanas do segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, se reúne nesta terça-feira (13/10) com representantes da campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reunião ocorre em meio a uma onda recorde de judicialização das eleições e da disputa de decisões em torno da suspensão ou manutenção do canal no WhatsApp chamado de "Exército do Lula".

O canal reúne mais de 4 milhões de inscritos e foi criado pelo deputado André Janones
(Rede-MG) para mobilizar a militância nas redes sociais em torno da reeleição do presidente Lula. A campanha de Flávio acionou o TSE pela suspensão do canal, e o tema foi palco de troca de decisões de ministros ao longo do fim de semana. O ministro Nunes Marques atropelou a decisão inicial do relator, Ricardo Villas Bôas Cueva, e determinou a suspensão do canal. Posteriormente, Cueva manteve o funcionamento do canal e encaminhou o caso para uma apreciação "urgente" do plenário virtual da Corte. O responsável por definir quando o colegiado vai analisar o tema é o próprio Kassio.

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Ontem (12), em uma nova ofensiva, o presidente do TSE voltou a tomar decisões no caso e determinou que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação (AEED) da Corte apurasse a circulação dos conteúdos do canal "com máxima urgência". A área técnica, no entanto, informou não identificado fake news citadas pela campanha do senador no canal. O cenário, somado à derrubada da decisão pelo corregedor-geral, realçou as contestações internas das decisões do presidente do tribunal.

"No período examinado, não se verificou a difusão das afirmações examinadas nos autos", disse a assessoria técnica. A AEED comparou os conteúdos do grupo com aqueles mencionados pelo ministro Kassio Nunes Marques na decisão pela suspensão do canal, proferida ontem e depois revertida pelo relator do caso. O magistrado apontou que o conteúdo ligava Flávio à milícia, à redução de aposentadorias e a notícia falsa da retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

Imparcialidade

A sequência de acontecimentos também aumentou os questionamentos da campanha petista sobre a imparcialidade do ministro Nunes Marques. Embora tenha assumido a presidência da Corte prometendo atuar com "independência, equilíbrio e prudência", as deliberações mais recentes do magistrado vêm sendo interpretadas como uma tentativa de favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro — filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável por sua indicação ao STF em 2020.

Em coletiva, Lula disse que vê a Justiça Eleitoral "extrapolando" em algumas decisões contra sua campanha e que o presidente do TSE "não pode ter lado na política". "Acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha, isso é visível e já foi denunciado. Eu não vou criar só o Exército do Lula, eu vou criar o Exército, a Marinha, a Aeronáutica do Lula no WhatsApp", disse.

Ele defendeu, ainda, que o caso seja tratado com imparcialidade e que, caso a Corte queira decretar a ilegalidade do canal, seja evidenciado que o conteúdo transgrediu a lei. "O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento e de procedimento. Todos têm que ter o mesmo direito diante da Justiça Eleitoral", afirmou o presidente.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também defendeu isenção no TSE em entrevista concedida à imprensa em Aparecida (SP). "Acho que é importante a Justiça ser isenta, ser guardiã da liberdade, da liberdade de expressão, da liberdade política", disse.

Por outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro manteve críticas ao canal e afirmou que encaminhará ao TSE um novo relatório técnico sobre o conteúdo veiculado nele. "Esclarece que, a despeito disso, procedeu ao espelhamento em tempo real do canal e que já tinha acautelado o material na Secretaria Judiciária do TSE, quando do ajuizamento da AIJE. Esse conteúdo será atualizado e submetido à Presidência do Tribunal Superior Eleitoral", enfatizou.

Isso porque a assessoria técnica não identificou notícias falsas no canal, mas ressalvou que parte das publicações foram excluídas. Além disso, alertou que existem duas postagens no canal que podem ter o mesmo tema que os conteúdos derrubados pela Corte liminarmente, que relacionam Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a mudanças na Constituição.

A campanha do senador ainda sustenta que a estratégia do canal era apagar sistematicamente os comandos de Janones para "inviabilizar o controle tanto pela plataforma, como pelo TSE". Além disso, explica que os comandos eram acompanhados de links para outros conteúdos, o que é um "comportamento deliberado de fuga aos mecanismos de controle".

"A própria Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE, em seu relatório, não conseguiu detectar os ilícitos cometidos no canal, justamente porque eles estão nos links, e não nos comandos, e não foi possível acessá-los, dado o apagamento dos dados e histórico e da dependência daquilo que foi conservado pelo provedor", completou.

 

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postado em 13/10/2026 05:00
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