
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, editou textos de interesse da empresa que foram publicados no portal Metrópoles. As informações estão em diálogos interceptados pela Polícia Federal que estão no celular do investigado. O material que está em posse dos investigadores mostra conversas de Vorcaro com a jornalista Lilian Tahan, CEO do veículo de comunicação.
O caso foi revelado pelo UOL e confirmado pelo Correio com fontes na Polícia Federal. De acordo com autoridades ligadas à investigação, o celular do banqueiro tem 9 mil chats e cerca de 1 milhão de arquivos, sendo que a maior parte do conteúdo ainda não foi periciada ou revelada. As mensagens apontam que Vorcaro era consultado pela direção do Metrópoles sobre a publicação dos textos, apontava edições a serem feitas e pedia a publicação de assuntos que favoreciam o Master.
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As conversas tiveram início em 2024, quando o Metrópoles firmou com o Master um contrato de R$ 20 milhões. O conteúdo faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga um megaesquema de corrupção envolvendo o banco privado, fundos de pensão, bancos públicos e pagamento de propina a autoridades, além de influência no Legislativo, no Executivo e no Judiciário. A investigação relacionada ao portal de notícias faz parte do braço da operação que mira o uso de grupos de mídia e influenciadores para pressionar o Banco Central e outras entidades de acordo com os interesses do líder do esquema.
Pelo menos 14 textos teriam passado por consultas a Vorcaro antes da publicação, sendo que 11 foram alterados e duas reportagens foram feitas exclusivamente a pedido do investigado, de acordo com as investigações. “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”, escreveu Lilian Tahan ao enviar a Vorcaro um perfil sobre ele, em abril de 2025, em uma das conversas. A comunicadora, representante da direção do portal, demonstrou intimidade e prestatividade diante dos pedidos do executivo.
O Metrópoles é de propriedade do ex-senador Luiz Estevão, condenado no esquema de fraudes nas obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.
Ao UOL , Lilian respondeu que "checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário".
Também afirma que o contrato de publicidade do Master com o Metrópoles não tinha nenhuma relação com a cobertura de interesse do banco: "Basta ver a quantidade de matérias publicadas pelo Metrópoles expondo a situação das empresas de Vorcaro, tais como Banco Master, Ambipar, Fictor, Oncoclínicas dentre outras", afirma.
Procurado para comentar o caso, Estevão não se manifestou. O espaço segue aberto.
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