
A Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB) divulgou nesta sexta-feira (16/10) uma nota oficial em defesa das políticas de igualdade de gênero no Ministério das Relações Exteriores. A entidade manifestou preocupação com declarações públicas que, segundo o documento, desqualificam estruturas do Itamaraty dedicadas à participação social, à diversidade e à transversalização de gênero.
A manifestação foi publicada após críticas à existência da Assessoria de Participação Social e Diversidade (APSD) e da Assessoria Especial para Transversalização de Gênero (AETG) no Ministério das Relações Exteriores. Em publicação que circula nas redes sociais, as estruturas foram questionadas sob o argumento de que representam gastos e aparelhamento ideológico da política externa.
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Sem citar diretamente os autores das críticas, a AMDB afirmou que a promoção da igualdade de gênero faz parte da defesa dos interesses nacionais e não deve ser tratada como incompatível com as prioridades diplomáticas brasileiras.
Segundo a associação, a política externa contemporânea não se limita às relações comerciais e de segurança. Também envolve cooperação internacional, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, proteção de brasileiros no exterior e participação do país na construção de soluções para desafios globais.
A entidade argumentou que considerar a dimensão de gênero na formulação de políticas públicas constitui uma prática de gestão baseada em evidências. O documento ressalta, porém, que essa incorporação deve ser contextualizada, levando em conta os objetivos de cada política, as competências das instituições e os resultados pretendidos.
Entidade defende igualdade de gênero e interesses nacionais
Na nota, a associação rejeitou a ideia de que a promoção da igualdade de gênero esteja em conflito com a defesa dos interesses nacionais. Como exemplo, citou negociações comerciais, iniciativas de paz e segurança e temas relacionados à migração e ao refúgio.
O texto também menciona estudos do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo os quais a criação de mecanismos para ampliar a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho e em posições de comando poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) global em 20%.
A AMDB defende ainda que o debate sobre políticas públicas seja conduzido com responsabilidade e respeito aos fatos. Para a entidade, questionamentos sobre a organização e o funcionamento de órgãos públicos não devem servir de justificativa para desqualificar servidores, disseminar suspeitas genéricas sobre sua atuação ou associar competências técnicas à falta de compromisso com o país.
A associação lembrou que o serviço diplomático brasileiro é uma instituição de Estado, orientada pela Constituição Federal de 1988, pelas leis internas, pelo direito internacional e pelas diretrizes de política externa estabelecidas por autoridades democraticamente constituídas.
Nesse sentido, afirmou que a competência profissional de diplomatas deve ser avaliada com base na qualificação, no desempenho e no compromisso com as atribuições públicas.
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