CB.PODER

Especialista defende mais transparência para analisar erro técnico da Meta

O professor da UnB Laerte Peotta afirmou em entrevista ao Correio que não existem mecanismos que permitam a auditoria dos algoritmos nas redes. "Grandes big techs impulsionam conteúdos sem clareza sobre suas regras", apontou

"Existe incerteza sobre possível impulsionamento em detrimento de um ou outro candidato", disse professor da UnB - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Laerte Peotta de Melo analisou a influência das plataformas digitais sobre a informação e os riscos de interferência no processo eleitoral durante entrevista, nesta sexta-feira (16/10), ao CB.Poder — programa em parceria com a TV Brasília. 

Ao comentar a recente falha técnica da Meta na distribuição de anúncios eleitorais, o especialista explicou que a big tech deveria apresentar evidências detalhadas de como o erro ocorreu e oferecer transparência para permitir a verificação dos fatos. 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Peotta explicou que não existem mecanismos que permitam a avaliação ou auditoria dos algoritmos que são utilizados nas redes sociais. Como os dados são mantidos de forma privada e sigilosa, observou, existe incerteza sobre possível impulsionamento em detrimento de um ou outro candidato.

O acadêmico também explicou no programa o conceito de tecnofeudalismo. “Grandes big techs controlam os espaços digitais e impulsionam conteúdos sem clareza sobre suas regras.”

Na opinião de Peotta, as redes têm o poder de influenciar a vitória de determinado candidato. Ele lembrou que, diferentemente da TV, que exibia comerciais gerais e todos assistiam a uma mesma programação, as redes sociais direcionam anúncios personalizados e agrupam os usuários em "bolhas computacionais" por afinidades políticas, religiosas e de pensamento.

Ainda de acordo com o especialista, o algoritmo monitora continuamente as preferências do usuário, inclusive medindo quantos segundos ele pausa para observar uma postagem. Para o telespectador sair da sua bolha e não ser manipulado pelas big techs, o professor recomenda que o usuário não aceite passivamente o que o algoritmo sugere. “O usuário deve pesquisar ativamente assuntos, perspectivas e ideias diferentes, mostrando ao algoritmo que possui interesses variados além daquele padrão inicial”, enfatizou. 

Perguntado sobre o uso da tecnologia da Starlink, empresa de Elon Musk, contratada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para transmitir dados em regiões remotas do país, Peotta garantiu a total segurança e integridade dos votos. De acordo com ele, o TSE aplica criptografia forte e chaves de proteção matemática aos dados antes do envio. “Os dados são criptografados, se ele for interceptado, ele não será alterado”, afirmou.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

Assista ao programa na íntegra

 

  • Google Discover Icon
postado em 16/10/2026 15:40 / atualizado em 16/10/2026 15:42
x