
Os colunistas do Correio Braziliense Denise Rothenburg e Carlos Alexandre de Souza analisaram o primeiro debate entre os candidatos à Presidência, que aconteceu neste domingo (18/10), na Band.
Durante o balanço, os jornalistas destacaram que o embate foi marcado por um tom elevado, com predominância de ataques diretos e escassez de propostas concretas para o país, especialmente na área econômica. Denise Rothenburg observou a postura ofensiva de Flávio Bolsonaro (PL) na sua estreia em debates presidenciais, focada em desestabilizar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o candidato e presidente respondeu com cobranças sobre movimentações financeiras não esclarecidas e relações de Flávio com Daniel Vorcaro.
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Por fim, os analistas pontuaram que, diante de um cenário eleitoral tecnicamente empatado, a postura agressiva e as gesticulações no palco visaram essencialmente as claques nas redes sociais através de recortes, podendo, contudo, afastar o eleitorado indeciso.
Denise Rothenburg: poucas propostas na área econômica
Nessa estreia nós tivemos mais ataques do que propostas. Na área econômica, por exemplo, pelo que eu pude perceber, eles não detalharam absolutamente nada. Ficou aquela coisa: "vamos trazer prosperidade", no caso de Flávio; "eu vou continuar a fazer o que já estamos a fazer, melhorando a economia", no caso de Lula, e por aí vai. Ou seja, ninguém sabe ao certo o que virá na economia brasileira a depender do governo a partir de 2027. Pelo menos não foi neste debate que nós tivemos isso mais claro.
Carlos Alexandre de Souza: Debate difícil para os indecisos
O que chamou atenção é que foi um debate muito difícil para quem estava indeciso. Porque houve muito confronto e em determinados momentos até muito agressivo, inclusive até por escolha do formato mesmo. Ficava muito difícil até entender o que um candidato estava a falar por conta da rinha que estava a acontecer ali no palco da Bandeirantes.
O que chama a atenção também é a postura dos candidatos. Flávio, em determinados momentos, adotou um tom muito irônico e com muito sarcasmo em relação ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Já o candidato Lula, principalmente no início, ali no primeiro bloco, mostrou-se bastante alterado. No momento em que o Flávio começou a falar do Lulinha e da Roberta Luchsinger, Lula elevou o tom de voz, bastante agressivo. Só depois, em outros momentos do debate, é que ele adotou um tom mais normal, a tentar convencer o eleitor de quais seriam as razões para votar no candidato petista.
Denise Rothenburg: Nas denúncias de corrupção, o samba de uma nota só
Denise Rothenburg: O Flávio foi para este debate disposto a tirar o Lula completamente do sério. Essa era a missão dele ali naquele debate, e ele conseguiu em relação ao caso Roberta Luchsinger, em que o candidato Lula respondia: 'Olha, a Polícia Federal é que vai cuidar disso', mas o Flávio insistia e ficou ali aquela coisa, um sambinha de uma nota só. Porque Lula perguntava para Flávio sobre os R$ 134 milhões do Daniel Vorcaro para o filme, que até hoje ninguém sabe direito onde é que esse dinheiro foi parar. E ao mesmo tempo Lula também ficou a dizer: 'Olha, a Polícia Federal é que vai investigar e se alguém tiver culpa, que seja punido'. Ou seja, ficaram ali cada um na sua nota, a jogar para a sua plateia, pregando para convertidos. Então, fica muito difícil a gente saber como é que os 9% de indecisos vão se comportar em relação a esse debate. As próximas pesquisas vão trazer uma avaliação melhor e vamos ver quem se saiu melhor.
Carlos Alexandre: faltou respeito
É preciso avaliar se houve e quando houve respeito entre os adversários. Nota-se no debate que em vários momentos faltou um pouco de respeito. Inclusive houve um momento em que Flávio ficou gesticulando no momento em que Lula estava falando, e acabou punido por esta atitude. Da mesma forma, o Lula também foi punido quando chamou o Flávio de miliciano, e o Flávio teve um direito de resposta de um minuto.
Queria chamar a atenção para dois momentos ruins com os candidatos: o primeiro em relação a Flávio, que em vários momentos deixou de responder a perguntas de Lula, como sobre o dinheiro do 'Dark Horse', sobre ter defendido um policial que matou uma criança de 5 anos e sobre ter votado para apagar o registo das armas. Do lado do Lula, chamou a atenção quando Flávio perguntou por que só agora deu o aumento do Bolsa Família, e Lula disse que foi um erro da Fazenda e que, assim que soube, mandou corrigir. O que não fica muito bem explicado. Outro momento ruim foi quando Lula usou a expressão 'malandro carioca', e Flávio se aproveitou disso para se solidarizar com os eleitores fluminenses. Houve momentos em que ambos passaram por maus bocados. Vamos ver como isso vai repercutir nas redes sociais e num novo confronto marcado para sexta-feira."
Denise Rothenburg: Agressividade nem sempre funciona em debates
No geral, ficou muito feio ver uma pessoa falando e a outra atrás fazendo caras e bocas. Aquilo ali não é uma atitude republicana e respeitosa. A gente já viu isso aqui no Distrito Federal, naquela campanha Roriz versus Cristóvam Buarque, onde o Cristóvam foi tão para cima do adversário que acabou por transformá-lo numa vítima, e o Roriz ganhou a eleição. Então é preciso ver como o eleitorado vai avaliar. Ao mesmo tempo quem é da torcida de um candidato pode gostar de um comportamento mais agressivo, porém outros indecisos podem achar isso muito inadequado.
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