Eleições 2026

Análise: ao escolher não decidir, Nunes Marques amplia caos eleitoral

Presidente do TSE só emitiu decisão após liminar do ministro Cristiano Zanin, do STF

o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques -  (crédito: Leobark Rodrigues/TSE)
o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques - (crédito: Leobark Rodrigues/TSE)

A condução do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, neste eleição e, em especial, no segundo turno, expõe uma atuação marcada pela demora em responder a problemas que atingem diretamente o exercício do voto.

Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, pai de um dos candidatos à Presidência, o magistrado se tornou alvo de críticas diante das dificuldades registradas em diferentes estados. Ao decidir não decidir, permitiu que a crise avançasse até exigir a intervenção da própria Suprema Corte.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Em Salvador, os problemas envolvendo a circulação de ônibus e o deslocamento de eleitores, somados às dificuldades logísticas registradas em São Paulo, ampliaram a pressão pela extensão do horário de votação até as 19h nas seções que já estavam abertas.

A medida buscava assegurar que os brasileiros afetados pelos transtornos não fossem privados do direito de votar. Apesar da urgência, Nunes Marques só atendeu à demanda após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF.

O episódio evidencia uma contradição na condução do presidente do TSE. Enquanto a Corte se movimentou na reta final da campanha para atender a demandas relacionadas ao canal “Exército do Lula”, alvo de uma ofensiva da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), a resposta aos problemas que atingiam diretamente os eleitores dependeu de uma intervenção externa. Em uma disputa decidida voto a voto, a demora em agir pode produzir consequências irreversíveis.

A questão não está, necessariamente, em um eventual favorecimento ao filho de quem o indicou ao Supremo, mas na responsabilidade de Nunes Marques pela condução do processo eleitoral. A presidência do TSE exige capacidade de antecipar crises e garantir respostas tempestivas. Quando a solução para assegurar o direito ao voto precisa partir de outro integrante do Judiciário, a autoridade administrativa de quem comanda a eleição acaba colocada em xeque.

Ao decidir não decidir, Nunes Marques permitiu que uma crise operacional ganhasse contornos institucionais. A extensão do horário de votação, adotada somente após a decisão de Zanin, reforça os questionamentos sobre sua capacidade de reação.

  • Google Discover Icon
AH
postado em 25/10/2026 18:42 / atualizado em 25/10/2026 18:45
x