
A condução do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, neste eleição e, em especial, no segundo turno, expõe uma atuação marcada pela demora em responder a problemas que atingem diretamente o exercício do voto.
Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, pai de um dos candidatos à Presidência, o magistrado se tornou alvo de críticas diante das dificuldades registradas em diferentes estados. Ao decidir não decidir, permitiu que a crise avançasse até exigir a intervenção da própria Suprema Corte.
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Em Salvador, os problemas envolvendo a circulação de ônibus e o deslocamento de eleitores, somados às dificuldades logísticas registradas em São Paulo, ampliaram a pressão pela extensão do horário de votação até as 19h nas seções que já estavam abertas.
A medida buscava assegurar que os brasileiros afetados pelos transtornos não fossem privados do direito de votar. Apesar da urgência, Nunes Marques só atendeu à demanda após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF.
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O episódio evidencia uma contradição na condução do presidente do TSE. Enquanto a Corte se movimentou na reta final da campanha para atender a demandas relacionadas ao canal “Exército do Lula”, alvo de uma ofensiva da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), a resposta aos problemas que atingiam diretamente os eleitores dependeu de uma intervenção externa. Em uma disputa decidida voto a voto, a demora em agir pode produzir consequências irreversíveis.
A questão não está, necessariamente, em um eventual favorecimento ao filho de quem o indicou ao Supremo, mas na responsabilidade de Nunes Marques pela condução do processo eleitoral. A presidência do TSE exige capacidade de antecipar crises e garantir respostas tempestivas. Quando a solução para assegurar o direito ao voto precisa partir de outro integrante do Judiciário, a autoridade administrativa de quem comanda a eleição acaba colocada em xeque.
Ao decidir não decidir, Nunes Marques permitiu que uma crise operacional ganhasse contornos institucionais. A extensão do horário de votação, adotada somente após a decisão de Zanin, reforça os questionamentos sobre sua capacidade de reação.
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