
O presidente da China, Xi Jinping, parabenizou o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta terça-feira (27/10), pela vitória no segundo turno das eleições brasileiras e manifestou interesse em aprofundar a cooperação entre os dois países.
Na mensagem encaminhada ao petista, o líder chinês destacou o fortalecimento das relações bilaterais nos últimos anos e afirmou que a parceria ganhou maior relevância estratégica no cenário internacional.
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O pronunciamento, divulgado pela agência estatal chinesa Xinhua, foi a primeira manifestação de Xi desde a confirmação da reeleição de Lula, no domingo (25/10). A China ocupa a posição de principal parceiro comercial do Brasil, e os dois governos mantêm uma agenda de aproximação política e econômica.
Ao comentar a trajetória recente das relações diplomáticas, Xi atribuiu ao presidente brasileiro um papel importante na ampliação do diálogo entre Brasília e Pequim. Ele também ressaltou a frequência dos contatos mantidos entre os dois líderes e os esforços conjuntos em torno de uma agenda internacional voltada à cooperação entre países em desenvolvimento.
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"Nos últimos anos, o presidente Lula e eu mantivemos estreita comunicação por diversos meios, liderando conjuntamente a construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado para um mundo mais justo e um planeta mais sustentável, rumo a novos progressos", disse o presidente chinês.
Para Xi, a aproximação ultrapassa os interesses comerciais e passou a representar um exemplo de articulação entre países do Sul Global. Na avaliação do líder asiático, os avanços alcançados conferiram maior importância à relação bilateral.
"A natureza global, estratégica e de longo prazo da relação bilateral tornou-se mais proeminente, servindo como modelo de unidade e cooperação entre os países do Sul Global", acrescentou.
O presidente chinês também sinalizou disposição para dar continuidade aos projetos desenvolvidos pelos dois governos e ampliar as perspectivas de colaboração estratégica. Segundo a Xinhua, Xi afirmou estar interessado em conduzir a parceria a um novo patamar, com iniciativas que contribuam para o desenvolvimento e o bem-estar das populações brasileira e chinesa.
As manifestações de Pequim também se estenderam ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que recebeu uma mensagem de congratulações de seu homólogo chinês, Han Zheng, pela reeleição.
Trump questiona votação, mas elogia relação com Lula
A manifestação de Xi Jinping ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocar em dúvida a legitimidade da eleição brasileira. Na segunda-feira (26/10), o republicano levantou suspeitas sobre a votação que garantiu a permanência de Lula no Palácio do Planalto, embora não tenha apresentado provas de irregularidades.
Questionado por jornalistas sobre o resultado, Trump afirmou não ter apoiado oficialmente nenhum dos candidatos, mas classificou o processo eleitoral brasileiro como suspeito.
“Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, afirmou Trump, sem apresentar nenhuma prova. “Para mim, pareceu muito ruim.”
A declaração foi feita após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), aliado político do presidente norte-americano e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador terminou o segundo turno com 48,21% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou 51,79%, uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O resultado foi anunciado ainda na noite de domingo pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. Segundo os dados oficiais da Corte, o petista recebeu 64.256.232 votos, contra 59.826.041 destinados ao adversário.
Apesar das críticas, Trump procurou afastar a possibilidade de interferência norte-americana no resultado. Ao ser perguntado se pretendia adotar alguma medida em relação à eleição, o republicano ressaltou que sua responsabilidade se restringe ao governo dos Estados Unidos e afirmou manter uma boa relação pessoal com Lula.
“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha.”
A referência foi à ampliação do horário de votação no segundo turno, medida que também havia provocado questionamentos da campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato derrotado contestou inicialmente o resultado e anunciou a intenção de buscar a anulação do pleito, alegando irregularidades no processo eleitoral.
Reconhecimento internacional
Enquanto Trump questionou a condução da votação brasileira, outros líderes políticos da América Latina reconheceram a vitória de Lula, inclusive integrantes da direita próximos ao presidente norte-americano.
Entre eles estão o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, e a presidente do Peru, Keiko Fujimori, que enviaram mensagens de congratulações ao petista, apesar das diferenças políticas e ideológicas.
Na Argentina, por outro lado, o presidente Javier Milei ainda não havia se pronunciado publicamente sobre a reeleição de Lula até a última atualização desta reportagem.
As manifestações internacionais ocorrem em meio à definição do cenário político brasileiro para os próximos quatro anos. Com a vitória confirmada pela Justiça Eleitoral, Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, enquanto governos estrangeiros começam a sinalizar suas expectativas para a continuidade das relações diplomáticas com o Brasil.
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