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Moraes manda Flávio Bolsonaro entregar passaportes em 24 horas

Ministro do STF ordena que candidato derrotado à Presidência entregue os passaportes. Decisão ocorreu em meio a rumores de que o parlamentar poderia sair do país para evitar desdobramentos de investigações que correm no STF

Flávio:
Flávio: "Fui intimado a entregar os meus passaportes" - (crédito: AFP)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Polícia Federal que intime o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência, a entregar os passaportes, comum e diplomático, em até 24 horas. De acordo com fontes ligadas ao caso, ouvidas pelo Correio, a decisão ocorreu no inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro do advogado Willer Tomaz, no qual Flávio também é investigado.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi abordado por agentes da Polícia Federal quando deixava a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crime. Ele disse ter sido intimidado a entregar o passaporte, em razão da decisão expedida pelo magistrado.

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"Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país", afirmou Flávio em vídeo.

O senador não mencionou o inquérito no qual é investigado com Tomaz e alegou que a ordem do ministro foi tomada após declaração do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, de que ele deveria sair do país se perdesse a eleição. "A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23/10, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição, eu nunca falei isso", acrescentou. O deputado cassado mora nos Estados Unidos e foi condenado por coação no curso do processo da trama golpista.

A Polícia Federal afirma que Willer usou casas de apostas esportivas, as chamadas bets, para lavar dinheiro. Existe a suspeita de que Flávio tenha sido sócio oculto de uma casa de jogos on-line.

Apostas on-line

De acordo com as investigações, somente neste ano, Tomaz movimentou R$ 1,3 bilhão em apostas on-line, especialmente no chamado Jogo do Tigrinho. Em 2025, foram R$ 5 bilhões, o que o tornou o maior apostador do país. Os valores movimentados não representam a quantia depositada, pois um montante bem menor adicionado ao saldo pode ser usado diversas vezes, entre ganhos e perdas nas plataformas.

Em um processo movido na Justiça de São Paulo, o advogado afirma que sofre de ludopatia — vício em jogos. O volume financeiro chamou a atenção dos investigadores por, aparentemente, não corresponder às atividades econômicas conhecidas do advogado.

A PF apura se Flávio teria atuado com Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Os dois negam envolvimento no caso.

Na decisão de Moraes também consta a proibição de Flávio manter contato com o advogado Willer Tomaz. Na sexta-feira passada, Moraes determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis e o sequestro de R$ 6 bilhões das contas de Willer, alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro para Flávio.

As medidas foram determinadas no segundo inquérito aberto pelo Supremo em que Flávio é investigado. Esse inquérito, revelado pelo Estadão em 18 de outubro, está sob relatoria de Moraes.

 

 

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postado em 27/10/2026 03:55 / atualizado em 27/10/2026 07:31
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