O deputado federal André Janones (Avante-MG) afirmou nesta terça-feira (13/10), em coletiva no Congresso, que teria recebido informações de uma pessoa ligada à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre um suposto plano para disseminar notícias falsas em um canal de WhatsApp associado ao adversário. Segundo Janones, a intenção seria provocar uma reação da Justiça Eleitoral que levasse à retirada do ar dos grupos ligados às duas candidaturas. O parlamentar não apresentou, durante a coletiva, provas que confirmassem a acusação.
De acordo com o relato, a informação teria chegado a ele no sábado, pouco antes da suspensão do canal “Exército do Lula”. Janones disse que uma fonte da campanha de Flávio o alertou sobre a possibilidade de publicações falsas serem inseridas no grupo conhecido como “Tropa do Fla”. A estratégia, conforme a versão apresentada pelo deputado, seria criar condições para que a Justiça Eleitoral determinasse a retirada dos dois canais.
Janones afirmou que a suposta articulação teria como objetivo neutralizar a capacidade de mobilização do grupo pró-Lula, que, segundo ele, ultrapassou 4,2 milhões de participantes. O deputado declarou que o canal era usado para incentivar apoiadores a divulgar conteúdos favoráveis ao presidente e responder a informações que considerava falsas. Ele negou que o espaço tenha sido utilizado para coordenar ataques ou espalhar desinformação.
Na coletiva, o parlamentar também questionou a diferença de tratamento entre grupos digitais ligados às campanhas. Citou canais associados a políticos do PL e afirmou que estruturas semelhantes teriam sido utilizadas em disputas eleitorais anteriores sem o mesmo tipo de questionamento. As declarações representam a avaliação de Janones sobre o caso e não comprovam eventual tratamento desigual por parte da Justiça Eleitoral.
O deputado ainda contestou a decisão que condicionou a retomada do “Exército do Lula” ao cumprimento de exigências eleitorais e à espera de 48 horas. Segundo ele, a defesa questiona a competência para impor a medida e sustenta que canais de WhatsApp não devem necessariamente receber o mesmo enquadramento de perfis convencionais em redes sociais. A discussão jurídica, afirmou, seria levada adiante pelas vias judiciais.
Janones disse que não pretende responder à decisão com ataques ao ministro Nunes Marques ou a integrantes do Supremo Tribunal Federal e do TSE. O parlamentar afirmou que continuará a contestar judicialmente o que considera tratamento desigual e pediu que apoiadores não promovam ofensivas contra autoridades. Até o fim da coletiva, a suposta estratégia atribuída a integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro permanecia como uma acusação feita pelo deputado, sem comprovação apresentada publicamente.
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