Integrantes da oposição ao governo no Congresso Nacional anunciaram que pretendem formalizar pedidos de impeachment do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A reação ocorreu após o magistrado determinar a prorrogação do horário de votação do segundo turno das eleições presidenciais até as 19h, em meio a relatos de dificuldades de transporte público em diferentes localidades do país.
Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o senador Rogério Marinho (PL-RN) classificou a decisão como “intempestiva” e acusou o ministro de interferir no processo eleitoral. Em manifestação nas redes sociais, Marinho afirmou que a medida teria sido adotada para “tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto”.
O empresário Pablo Marçal também questionou o resultado eleitoral e levantou dúvidas sobre a mudança no cenário da disputa. Em declaração, ele afirmou: “Ninguém tá questionando se tá certo ou errado mas como que pesquisa pontos de diferença não conseguiu nenhuma apontar essa virada?[…] A gente esta diante de uma narrativa onde as pessoas perderam a racionalidade, o Lula não virou com 11 milhões na frente desse de voto”, declarou, em entrevista coletiva.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou a prorrogação e contestou o argumento de que problemas no transporte público teriam prejudicado o comparecimento dos eleitores. Para o parlamentar, a medida poderia favorecer o candidato que estivesse em desvantagem na disputa.
“O único que é beneficiado pela prorrogação é o time que está perdendo […] Se a gente ganha, é o natural, é o normal. Se a gente perder, pode ter certeza que essa prorrogação só ajudou um time”, declarou Nikolas em publicação.
O deputado federal e senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra Zanin. Em publicação na plataforma X, o parlamentar afirmou: “Protocolarei impeachment de Zanin por atuação desidiosa! Decidiu sem ter competência para tal e depois das 17h, quando o processo eleitoral já estava legalmente encerrado”, disse.
Van Hattem também apontou um suposto conflito relacionado à atuação anterior de Zanin como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o parlamentar, a decisão apresenta “claro indício de suspeição”.
O senador Jorge Seif (PL-SC) também afirmou ter determinado à sua equipe que preparasse um pedido de impeachment. Em publicação nas redes sociais, ele declarou: “Já determinei a minha equipe que peça o impeachment de Cristiano Zanin, advogado de Lula. Esse advogado de Lula, às 16h32 da tarde pediu a prorrogação das eleições por mais duas horas. Não há tempo pra isso”.
Na mesma linha de contestação, o deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP) direcionou críticas ao ministro e defendeu uma ofensiva mais ampla contra integrantes do Supremo Tribunal Federal. “Não vamos tirar só o Alexandre de Moraes! Se prepara, Zanin”, disse. Segundo ele, Zanin “conseguiu bagunçar uma eleição inteira”.
Decisão ocorreu após pedido da campanha de Lula
A decisão de Zanin foi tomada após solicitação da campanha de Lula, que apontou a ausência da frota integral de ônibus em circulação em algumas localidades e alegou prejuízos ao deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
O pedido também havia sido encaminhado ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, cerca de duas horas antes da decisão do STF. Nunes Marques não respondeu inicialmente à solicitação. Após o despacho de Zanin, o presidente do TSE notificou os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) sobre a determinação.
A extensão do horário provocou dúvidas operacionais porque parte das seções eleitorais já havia encerrado a votação às 17h. Diante da situação, o ministro esclareceu posteriormente que a prorrogação deveria ser aplicada somente aos locais em que as urnas ainda não haviam sido fechadas. Nas seções em que o procedimento já havia sido concluído, os votos deveriam ser computados e totalizados normalmente.
Em comunicado publicado neste domingo, o TSE confirmou que a votação continuaria apenas nas seções ainda em funcionamento e informou que a totalização dos votos seria retomada após as 19h.
Impeachment depende do Senado
Pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal são analisados pelo Senado Federal. Para que uma solicitação avance, é necessário que o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), dê andamento ao procedimento.
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