Eles já foram símbolo de rebeldia, depois viraram tendência de passarela e, hoje, ocupam ruas, escritórios e salas de aula com a mesma naturalidade dos tons tradicionais. Os cabelos coloridos deixaram de ser apenas uma forma de contestação para se consolidarem como expressão de identidade, criatividade e pertencimento. Do rosa-pastel ao azul-elétrico, cada fio carrega personalidade, avanços na indústria cosmética e um novo olhar da sociedade sobre liberdade estética e autoexpressão.
Mais do que moda, a escolha por fios vibrantes revela um movimento de diversidade e autenticidade. Influenciados pelas redes sociais, por artistas pop e por comunidades alternativas, jovens e adultos encontram nas cores uma maneira de comunicar quem são ou quem desejam ser.
O sucesso das cores no cabelo já vem de anos, e entre desafios no mercado de trabalho, aceitação e a quebra de estigmas, os cabelos coloridos seguem redefinindo padrões. A cabeleireira Laryssa Teodoro diz que os cabelos diferentes são, em grande parte, uma extensão de personalidade e estilo, tornando-se algo atemporal e significativo, sem necessariamente a ideia de rebeldia.
Em questões de trabalho, Layssa relembra uma época em que os fios tingidos só eram vistos em profissões mais alternativas, como tatuadores ou cabeleireiros. "Esse padrão já se quebrou, e muitas áreas de trabalho estão mais abertas em relação à cor e aos estilos", acrescenta.
Essa estética também teve seu papel na moda, influenciando artistas e criando tendências, mas o hair stylist e visagista Diogo Geovanne explica que, apesar de a moda ser inspiração para a escolha de cores, não é sempre a regra. "Tendências servem como referência, mas é preciso filtrar o que realmente faz sentido para cada pessoa, garantindo um resultado atual, mas atemporal."
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O tom ideal
A escolha da cor é o passo mais importante, e muitas pessoas se sentem inseguras já nesse primeiro momento. Diogo explica que a decisão deve partir da identidade de cada pessoa, analisando estilo de vida, personalidade, profissão, rotina e até a forma de se expressar. "A cor precisa complementar e não competir com quem a pessoa é", resume.
Para se expressar sem exageros, o visagista diz que o segredo está no equilíbrio. "Quando a cor é alinhada ao formato do rosto, tom de pele, estilo pessoal e comunicação visual da pessoa, ela se torna uma extensão natural da identidade, não um excesso", explica.
Mas para quem tem receio de arriscar, Diogo aconselha a começar por tons como cobre suave, caramelo, rosé discreto ou nuances frias próximas à cor natural. Alguns detalhes de cor também podem transformar o visual e ser uma boa pedida para quem quer experimentar. "Mechas sutis, reflexos internos ou um contorno de cor bem pensado podem renovar completamente o visual, trazendo modernidade sem mudanças radicais."
Para aderir à tendência de forma mais discreta, Laryssa recomenda pintar somente os fios da nuca, mechas finas com efeito iluminado ou laterais acima da orelha — pontos discretos, autênticos e charmosos ao mesmo tempo.
Os tons vibrantes podem ser usados de forma elegante e sofisticada, dependendo mais da forma como são aplicados do que no tom em si. Diogo diz que técnicas bem executadas, pontos estratégicos de cor e acabamento impecável fazem toda a diferença, sendo possível adaptar os cabelos para diferentes situações. "Trabalhamos com posicionamento e intensidade. Cores mais discretas, escondidas ou diluídas funcionam bem no ambiente profissional, enquanto penteados e finalizações diferentes permitem destacar a cor em momentos de lazer e eventos", resume.
Autenticidade e expressão
Mikaelly Cristine, de 23 anos, aderiu às cores nos fios e conta que, quando pequena, não tinha muita escolha sobre o cabelo, o mantinha liso e quase nunca cortava. Foi na época da pandemia que passou a ter mais liberdade de escolha e passou a se expressar usando os fios.
A partir daí, quase toda semana fazia algo diferente, seja cor, seja corte ou penteado. Já raspou a lateral e apostou no azul, no roxo, no rosa e em várias outras cores. "Foi assim que passei a me sentir mais eu, usando meu cabelo como forma de identidade e liberdade", justifica.
Por trabalhar como professora, pensou em voltar para a cor natural algumas vezes. "Os pais, às vezes, não me levam a sério, e ainda existe um certo julgamento, mas ainda prefiro ser eu mesma e continuar com as cores", diz Mickaelly.
Um dos principais fatores a ser levado em conta ao pintar o cabelo é qual técnica será utilizada e como mantê-la. As cores vão desbotar, o cabelo vai crescer, a tonalidade pode parecer diferente dependendo do fio, tudo isso deve ser pensado. "Uma técnica para quem se preocupa com isso pode ser as mechas em estilo ombré hair, que tem uma manutenção mais simples, pois a cor é das pontas para baixo, o que evita retoques frequentes", explica Laryssa.
Os produtos usados na lavagem e hidratação também fazem diferença. A cabeleireira sugere o uso de produtos específicos para cabelos tingidos, assim como uma rotina de cuidados.
A saúde dos fios e do couro cabeludo é fundamental para ter cabelos bonitos. A médica dermatologista e tricologista Regina Buffman diz que, para manter o couro cabeludo saudável, é preciso seguir uma higienização adequada, sem excesso de lavagens, uso de xampus suaves (preferencialmente sem sulfatos agressivos) e atenção a sinais de irritação, coceira ou descamação após a coloração.
Quanto aos fios, o ideal é optar por técnicas menos agressivas, espaçar os processos químicos, investir em tratamentos de reconstrução e hidratação e sempre realizar a coloração com orientação profissional. Regina diz que, antes da coloração, é necessário dar uma atenção especial ao couro cabeludo. "A coloração entra em contato direto com a pele, que pode ficar sensibilizada. É importante manter a barreira cutânea íntegra e evitar produtos irritantes entre um procedimento e outro", explica.
Ela também menciona a descoloração, que na maioria das vezes é a etapa mais agressiva para os fios. "A descoloração remove o pigmento natural do fio e compromete sua estrutura, o que vai exigir cuidados intensivos de reconstrução após o procedimento."
Manutenção e cuidados
Para manter a cor bonita por mais tempo, além de usar produtos específicos, Regina recomenda evitar lavagens muito frequentes com água quente, proteger os fios do Sol e reduzir o uso excessivo de ferramentas térmicas. Nos tempos de férias, alguns fatores interferem na coloração — o Sol, por exemplo, oxida os pigmentos, enquanto o cloro e o sal ressecam os fios e aceleram o desbotamento.
Mas alguns hábitos simples ajudam a preservar o brilho e a maciez, como hidratar regularmente, usar leave-in, evitar atrito excessivo (como toalhas ásperas) e manter uma rotina equilibrada de cuidados em casa. A dermatologista ressalta os sinais de alergia ou sensibilização. "Vermelhidão, coceira intensa, ardor, inchaço ou descamação persistente são sinais de alerta. Nesses casos, é importante suspender o uso do produto e procurar um dermatologista", aconselha.
Quem tem o couro cabeludo sensível deve agir com cautela, realizando um teste de sensibilidade antes da coloração, optando por produtos menos irritantes e, sempre que possível, evitamdo o contato direto da tinta com o couro cabeludo. "Pessoas com dermatites, psoríase ativa, infecções no couro cabeludo ou histórico de alergias importantes devem ter avaliação dermatológica antes de qualquer procedimento químico", alerta a dermatologista.
Para pintar o cabelo em casa com segurança, Regina orienta que seguir rigorosamente as instruções do fabricante, realizar teste de mecha e de sensibilidade, usar luvas e evitar misturas caseiras são medidas básicas. Em casos de dúvida ou mudanças mais intensas, o ideal é procurar um profissional.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
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