
Viralizados nas redes sociais pela diversidade de formatos, cores e tamanhos, os adesivos para espinha, também conhecidos como "pimple patches", ganharam espaço na rotina de cuidados com a pele, principalmente entre os jovens. Criados para ajudar a secar e proteger lesões de acne, os produtos transformaram um problema de pele antes escondido com maquiagem em um cuidado visível e, em alguns casos, até divertido.
A dermatologista Darleny Toledo explica que a maioria desses curativos possui uma camada de hidrocoloide, um material gelatinoso usado há anos em curativos médicos para ajudar na cicatrização de feridas. Quando aplicado sobre a espinha, o hidrocoloide absorve o excesso de secreção e umidade da lesão, criando um ambiente protegido que favorece a recuperação da pele. Esse processo também pode reduzir a vermelhidão e o inchaço da acne.
Além disso, quando colocado sobre a lesão, o adesivo impede a manipulação frequente da espinha, ao mesmo tempo em que ele cria uma barreira protetora que não permite a entrada de micro-organismos e evita atrito com maquiagem e cabelo, o que diminui as chances de infecção. "Muitos deles ainda possuem ácido salicílico ou peróxido de benzoíla, ativos com ação anti-inflamatória e antibacteriana, que ajudam no tratamento", comenta a médica. No mercado, também é possível encontrar versões com microagulhas dissolvíveis, cuja proposta é entregar o ativo para lesões mais profundas.
Apesar da eficácia, os adesivos funcionam como complemento durante o tratamento da condição. Darleny comenta que eles servem para auxiliar, mas não substituem as recomendações medicamentosas indicadas por dermatologistas. "São indicados para situações específicas e não para uso contínuo. Eles não tratam a pele como um todo, então não controlam a oleosidade nem previnem o surgimento de novas lesões inflamatórias ou comedões. Esse tratamento é fundamental para a prevenção de cicatrizes."
Quando se trata de quem pode usar, o médico dermatologista Luciano Morgado, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, ressalta que os adesivos também não são eficazes para todos os graus da doença. "São mais úteis em acne leve a moderada, graus 1 e 2. Em acnes mais graves, grau 3 ou 4, podem não ser suficientes. Em pacientes com muitas lesões de acne, também é inviável usar apenas os adesivos, sendo necessário associar medicamentos orais. Os adesivos podem ser utilizados em algumas lesões específicas. Para espinhas mais internas ou císticas, costumam não funcionar. Já para aquelas mais superficiais, com a pontinha branca, ajudam a secar em poucos dias", assegura.
Usar do jeito certo
Na rotina de cuidados, os adesivos são versáteis. Darleny orienta usar os curativos nas lesões após a higiene adequada do rosto, com remoção correta da oleosidade, da maquiagem e dos resíduos de produtos usados anteriormente. "Isso é de extrema importância para se ter uma maior aderência do adesivo na pele e, consequentemente, maior efetividade", explica.
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Luciano, por sua vez, orienta usar o produto durante toda a noite ou ao longo do dia, deixando o adesivo ficar com a coloração esbranquiçada nos casos de modelos de hidrocoloide, sinal de que a absorção foi realizada. O tamanho do adesivo deve ser proporcional ao da lesão e é importante observar as fórmulas do curativo, já que cada uma se adequa a diferentes tipos de pele.
Darleny chama a atenção para as peles mais sensíveis. "Alguns pacientes podem desenvolver dermatite de contato e alergias aos adesivos, tanto pelos ativos que possam estar presentes quanto pela cola do curativo. Por isso, o uso indiscriminado não é recomendado. O ideal é sempre consultar um médico dermatologista e usar apenas em situações específicas, como nas vésperas de um evento, por exemplo", conclui.
Passo a passo
1 — Pele limpa
Antes de tudo, lave o rosto com um produto adequado ao seu tipo de pele. A limpeza remove a oleosidade, o suor e os resíduos que podem atrapalhar a fixação do adesivo. A pele precisa estar livre de impurezas para que o produto funcione corretamente.
2 — Seca por completo
Nada de aplicar com a pele úmida. Use uma toalha limpa e garanta que o local esteja completamente seco, especialmente sobre a espinha. A presença de água, cremes ou óleo pode reduzir a aderência do adesivo.
3 — Alvo na espinha
Com as mãos limpas, retire o adesivo da embalagem e posicione sobre a espinha, cobrindo toda a área. Pressione levemente para fixar. Evite ficar reposicionando, pois isso pode prejudicar a eficácia.
4 — Deixe agir
O adesivo deve permanecer na pele por algumas horas, geralmente entre seis e oito, ou até ficar esbranquiçado. Essa mudança de cor indica que ele absorveu a secreção e está cumprindo sua função.
5 — Tire e avalie
Remova devagar, sem puxar a pele. Se a espinha ainda não tiver melhorado completamente, é possível reaplicar um novo adesivo e continuar o processo.
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

Revista do Correio
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