
Conforme a Mordor Intelligence, empresa global especializada em pesquisa de mercado, em 2025, as iniciativas relacionadas com a medicina regenerativa aplicada à ortopedia movimentaram US$ 6,68 bilhões. A projeção é que, até 2030, esse valor alcance US$ 9,06 bilhões. O dado reforça o avanço de abordagens voltadas à preservação da função articular, especialmente em um cenário de envelhecimento populacional e busca por qualidade de vida.
Segundo o ortopedista Fellipe Valle, diretor da Motore Medicina Avançada, a busca por manter a autonomia do corpo ao longo da vida equivale ao conceito de longevidade articular. Longevidade articular é manter movimento com qualidade ao longo da vida. Não é apenas evitar dor, mas preservar autonomia, independência funcional e capacidade de realizar atividades do dia a dia e esportivas mesmo com o avanço da idade, explica.
Fellipe Valle ressalta a medicina regenerativa, com aplicação direcionada a evitar lesões e complicações, como uma ferramenta eficiente para promover a longevidade articular dos pacientes. A medicina regenerativa atua diretamente nas alterações identificadas, evitando o agravamento de lesões e, em alguns casos, impedindo sua evolução. O foco deixa de ser tratar a doença instalada e passa a ser preservar a função antes da perda acontecer, afirma.
Tratamentos regenerativos ampliam alternativas à cirurgia
Entre os métodos mais utilizados, Fellipe Valle cita o uso de substâncias e técnicas que estimulam a recuperação dos tecidos. A escolha depende do tipo e do grau da lesão, além das características do paciente. O ácido hialurônico é muito utilizado, além dos derivados do sangue, como o plasma rico em plaquetas, materiais da medula óssea e da gordura. Cada abordagem tem uma performance específica conforme a lesão, observa.
O ortopedista relata que, com a aplicação da medicina regenerativa, diversos pacientes não passam por cirurgias devido à rápida melhora do quadro clínico. A medicina regenerativa propicia uma recuperação mais rápida e eficaz. Em algumas situações, como lesões parciais de tendões ou ligamentos, é possível recuperar sem necessidade de cirurgia, o que impacta diretamente na qualidade de vida, diz.
Apesar das evidências científicas sobre essa abordagem médica, Fellipe Valle cita que a medicina regenerativa demorou para se consolidar no Brasil devido à burocracia para ser regularizada. Hoje o tabu é muito menor. Existe um grande volume de evidência científica e a aceitação é cada vez maior. No Brasil, o que atrasou a medicina regenerativa foi a demora da regularização, mas em outros países ela é antiga e se tornou uma realidade, conta.

Prevenção e futuro da ortopedia
Fellipe Valle lembra que, inicialmente, a medicina regenerativa era aplicada apenas em atletas de alta performance. Ele observa que, atualmente, a abordagem atende a diversos perfis de pacientes e apresenta mais resultados quando o diagnóstico é precoce. Hoje já existe um foco preventivo. Quando exames mostram alterações iniciais, como o afinamento da cartilagem, é possível agir antes da lesão acontecer, reduzindo riscos futuros, comenta.
O ortopedista considera que o avanço tecnológico e a integração com novas ferramentas, como a inteligência artificial, impulsionam o desenvolvimento da área. O objetivo final é chegar a um nível em que não seja necessário recorrer às próteses, por exemplo. A inteligência artificial auxilia neste processo com a união de novas tecnologias que melhoram muito a medicina regenerativa. A cada tecnologia nova, damos mais um passo na direção de tratamentos mais eficazes e acessíveis, conclui.
Por Enzo Tres
