
Desde a pandemia, o lar virou uma espécie de extensão da personalidade de quem nele mora. Mais do que isso, um lugar para, de fato, relaxar e esquecer do que existe paredes afora. Assim, a busca pelo bem-estar doméstico transformou o conceito dos banheiros contemporâneos. O que antes era apenas um espaço funcional, hoje assume o papel de protagonista no combate ao estresse diário.
No entanto, converter esse espaço comum em um "banheiro de spa" exige um planejamento que vai muito além da estética, envolvendo escolhas técnicas precisas, desde a impermeabilização até a automação sensorial. Para o arquiteto Diego Aquino, a limitação de metragem — comum em apartamentos modernos — não deve ser um impedimento para o luxo. Ele defende que, quando o espaço é reduzido, o foco deve se voltar para a sofisticação dos detalhes.
"É difícil falar em um espaço mínimo. Por isso, foque em itens mais sofisticados e em uma melhor escolha de materiais para deixar o seu banheiro com cara de spa", orienta o profissional. Um dos maiores desafios técnicos ao instalar banheiras ou saunas residenciais é a gestão do vapor, que pode comprometer a estrutura do imóvel. De acordo com Aquino, a solução começa na construção e no detalhamento do mobiliário.
Segundo o especialista, o uso do box até o teto vai garantir maior longevidade aos armários. "O forro com placa verde deve ser usado dentro do box, pois é resistente à água, e a impermeabilização nessa área é crucial para proteger os acabamentos", explica. A funcionalidade de um spa residencial, na avaliação do arquiteto, não pode ignorar a segurança.
Em áreas úmidas, a escolha do piso é determinante para evitar acidentes. Diego Aquino alerta categoricamente contra o uso de materiais polidos. "Pode-se colocar praticamente tudo, menos itens polidos, pois causam risco de queda. Se for usar pedras naturais, prefira o acabamento escovado; já os porcelanatos acetinados também são uma boa escolha", diz o profissional. Ele ainda sugere o uso de peças em grandes formatos (acima de 90x90) para reduzir a quantidade de rejunte, facilitando a higienização.
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Tecnologia sensorial e biofilia
A designer de interiores Aline Silva reforça que o controle da umidade deve ser previsto ainda na fase de planta. "Com boa ventilação e exaustão, seja com exaustores, seja com aberturas bem posicionadas, dá para controlar bem essa umidade. Quando isso é bem resolvido desde o início, é totalmente possível ter esse conforto sem prejudicar o restante da casa", afirma a designer.
Ela complementa, ainda, que a praticidade na manutenção é o que garante a perenidade do ambiente. A especialista recomenda o uso de rejuntes de alto desempenho que não escurecem com o tempo e destaca que o equilíbrio entre beleza e funcionalidade é o que define um projeto de sucesso, sobretudo em um espaço que, agora, foge do usual e busca uma nova roupagem.
E, de certo modo, a tecnologia é um desses itens da contemporaneidade que incorpora bem na decoração ou em projetos relacionados. A experiência de relaxamento, sem dúvidas, é potencializada pela integração tecnológica. Cromoterapia e sistemas de som integrados deixaram de ser acessórios luxuosos para se tornarem componentes essenciais da jornada de bem-estar. "Sistemas inteligentes de automação permitem que você tenha som no banheiro. A cromoterapia pode ser sincronizada e alterada conforme a batida da música, criando diferentes sensações", descreve Aquino.
Para Aline Silva, a iluminação atua diretamente no estado emocional do usuário. "Uma luz mais suave, mais quente e baixa convida o corpo a desacelerar. O espaço deixa de ser apenas um banheiro e passa a ser uma experiência", pontua. Além da tecnologia, a designer aposta na biofilia — a conexão com a natureza — para humanizar o ambiente. Ela sugere o uso estratégico de plantas, como zamioculcas, lírios-da-paz e samambaias, que se adaptam bem à umidade e à pouca luz, trazendo leveza à atmosfera.
Cores e dilemas de layout
Em espaços restritos, surge a dúvida: banheira compacta ou uma ducha de alta performance? Aline Silva tende a priorizar a superducha com jatos verticais em banheiros pequenos, visando a circulação. "A ducha traz relaxamento de forma prática sem comprometer o espaço, embora o desejo real do cliente sempre deva ser considerado no layout", pondera.
Na visão da profissional, a banheira, mesmo sendo compacta, ainda ocupa um espaço importante e, muitas vezes, acaba não sendo tão usada no dia a dia. A ducha, por outro lado, traz essa experiência de relaxamento de forma mais prática, sem comprometer a circulação do ambiente. "Hoje existem soluções muito interessantes, com jatos, diferentes pressões e até integração com iluminação e som", completa.
Contudo, tudo depende, também, do perfil do cliente. "Se a banheira for um desejo real, algo importante para a rotina ou para o bem-estar da pessoa, a gente estuda o layout e busca soluções para viabilizar, mesmo em espaços menores", acrescenta Aline. O mais importante, certamente, é equilibrar funcionalidade com o que faz sentido para quem vai viver naquele espaço.
Quanto à paleta de cores, Diego Aquino revela que algumas empresas, como a Pantone, estão apostando em tons como o branco off-white, o cloud dancer. "O banheiro é um espaço muito pessoal e pode ser personalizado, então seja criativo", pontua o arquiteto. De acordo com Aline Silva, tons que ajudam a desacelerar também estão em alta, em especial os suaves e naturais. "Um ponto importante é que não é só a cor em si, mas a intensidade dela."

Revista do Correio
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