Saúde & Bem-estar

Sexualidade na menopausa: sentir dor não é normal e exige atenção

Sintoma ainda é cercado por silêncio e constrangimento, mas tem causas bem específicas e pode ser tratado com segurança

Sentir dor não deve ser encarado como parte inevitável do processo, mas como um sinal de que o corpo precisa de atenção (Imagem: PeopleImages | Shutterstock) -  (crédito: EdiCase)
Sentir dor não deve ser encarado como parte inevitável do processo, mas como um sinal de que o corpo precisa de atenção (Imagem: PeopleImages | Shutterstock) - (crédito: EdiCase)

Dor e desconforto durante a relação sexual são queixas comuns entre mulheres na menopausa, principalmente devido às mudanças hormonais que afetam a lubrificação e a elasticidade da região íntima. No entanto, por ainda ser visto como um tema delicado, esse problema muitas vezes é silenciado ou tratado como algo normal dessa fase da vida, o que não é adequado.

Segundo a Dra. Patricia Magier, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), a dor não é normal e tem causas específicas, que podem ser tratadas com segurança. “A queda dos níveis hormonais, principalmente do estradiol, causa uma série de alterações na mucosa vaginal. Essa região se torna mais seca, menos elástica e mais sensível, o que torna o ato sexual doloroso e afeta diretamente o prazer”, explica.

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Impactos da queda hormonal

A dor pode ter um impacto também na libido, o que se junta ao emaranhado de sintomas da menopausa. Segundo a Dra. Ana Paula Fabricio, ginecologista, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO), o estrogênio não é apenas um hormônio reprodutivo.

“Ele participa da lubrificação vaginal, da vascularização da região íntima, da resposta sexual e até da disposição geral. Durante a transição menopausal, sua redução leva a ressecamento vaginal, dor na relação (dispareunia), menor lubrificação e menor engajamento espontâneo no sexo. Já a testosterona, embora em menor quantidade nas mulheres, também influencia o desejo. A queda gradual ao longo dos anos pode reduzir a motivação sexual e a sensação de prazer”, afirma.

Nesses casos, o Dr. Nélio Veiga Junior, mestre e doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP), alerta: “é preciso ficar atentos que o cansaço prolongado, acompanhado de perda de interesse em atividades normais, tristeza, irritabilidade, mudança de peso e diminuição do desejo sexual, pode ser um sinal para uma investigação de uma depressão clínica”.

Mudança hormonal afeta a saúde íntima da mulher

A ginecologista Dra. Patrícia Magier explica que, com a redução do estradiol, ocorre a chamada atrofia genital, um processo que afina e fragiliza os tecidos vaginais, comprometendo a lubrificação natural. “Além da dor, é comum o aparecimento de coceira, ardência e até infecções recorrentes, já que o ambiente vaginal se torna mais suscetível a irritações”, explica.

O incômodo também pode ultrapassar a barreira física e interferir no bem-estar. “A mulher muitas vezes sente que perdeu vitalidade na região íntima, e isso impacta não apenas a vida sexual, mas também a autoestima e a qualidade de vida”, destaca a ginecologista.

Mulher na faixa dos 40 anos tomando comprimido de reposição hormonal
Terapia hormonal melhora os fogachos e episódios de suores noturnos (Imagem: VH-studio | Shutterstock)

Alternativas para tratar o desconforto íntimo

Buscar orientação médica e falar abertamente sobre o assunto são passos importantes para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar. “É fundamental entender que o envelhecimento não precisa vir acompanhado de sofrimento. Hoje temos ferramentas que restauram o conforto e a confiança da mulher”, comenta a Dra. Patrícia Magier.

Segundo ela, os tratamentos podem incluir hidratação vaginal contínua, uso de cremes à base de ácido hialurônico, terapia hormonal local e, em casos selecionados, o uso do laser íntimo. “Essa tecnologia vem se destacando entre as opções mais modernas e seguras. O laser íntimo é um procedimento indolor, realizado em consultório, que estimula a regeneração dos tecidos e melhora a circulação local. Ele devolve vitalidade à mucosa, melhora a lubrificação, a elasticidade e, consequentemente, o prazer”, explica.

A terapia hormonal, por sua vez, conforme o Dr. Nélio Veiga Junior, tem se mostrado uma aliada importante no alívio dos sintomas mais intensos do climatério. “Os estudos já evidenciam que a terapia hormonal tem um impacto positivo na qualidade de vida de mulheres com sintomas climatéricos severos e melhora os fogachos e episódios de suores noturnos, melhorando também a qualidade do sono dessas mulheres”, diz.

Quebrar o silêncio é fundamental

O acompanhamento médico é essencial para definir a melhor abordagem terapêutica. “Terapia hormonal (quando indicada), tratamentos locais com estrogênio vaginal, laser fracionado CO para atrofia vulvovaginal, exercícios do assoalho pélvico, psicoterapia sexual e ajustes de estilo de vida podem ser indicados. A escolha depende da avaliação médica, do histórico individual e das preferências de cada mulher”, diz a Dra. Ana Paula Fabricio.

Para a Dra. Patricia Magier, o maior desafio ainda é quebrar o silêncio. “Muitas mulheres deixam de procurar ajuda por vergonha ou por acreditar que o desconforto é parte inevitável da menopausa. Mas sentir dor não é normal. Falar sobre isso é um ato de coragem e autocuidado. Hoje, a medicina oferece recursos seguros e eficazes para tratar esse sintoma e recuperar uma vida sexual saudável”, reforça a médica, que acrescenta: “Qualquer mulher que sente dor durante a relação deve procurar um ginecologista. Há soluções capazes de transformar essa fase em um novo começo, com mais conforto, prazer e qualidade de vida”.

Por Paula Amoroso

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PE
postado em 06/04/2026 18:32
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