Saúde & Bem-estar

Tontura: veja as causas e quando procurar um médico

Embora a maioria dos episódios não esteja associada a quadros graves, alguns sinais funcionam como alerta

A tontura é uma queixa frequente nos consultórios e exige atenção em alguns casos (Imagem: Ahmet Misirligul | Shutterstock)
 -  (crédito: EdiCase)
A tontura é uma queixa frequente nos consultórios e exige atenção em alguns casos (Imagem: Ahmet Misirligul | Shutterstock) - (crédito: EdiCase)

Sensação de cabeça leve, desequilíbrio, tudo girando: a tontura é uma queixa frequente nos consultórios médicos e pode afetar diretamente a rotina e a qualidade de vida. Apesar de comum, o termo é amplo e costuma gerar confusão. Enquanto a tontura descreve uma desorientação espacial, a vertigem é um quadro mais específico, marcado pela sensação de movimento, como se o ambiente ou o próprio corpo estivesse girando, mesmo parado.

No Brasil, o problema é mais disseminado do que se imagina. O estudo “Estudo epidemiológico populacional da prevalência de tontura na cidade de São Paulo”, realizado na cidade de São Paulo, em 2012, por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), indica uma prevalência ainda maior: cerca de 42% entre adultos, com incidência mais elevada em mulheres e idosos. Mesmo assim, embora 27% relatem impacto nas atividades diárias, menos da metade busca atendimento médico.

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No primeiro dos idosos, ocorre pelo envelhecimento natural do sistema vestibular e pela maior presença de doenças associadas. No caso das mulheres, por influência de fatores hormonais.

Causas da tontura

Na prática clínica, a percepção é de crescimento nos casos. Segundo o otorrinolaringologista José Carlos Convento Júnior, do Vera Cruz Centro Médico Indaiatuba, fatores contemporâneos ajudam a explicar esse cenário. “Estresse, ansiedade, sedentarismo, uso excessivo de tecnologia e até possíveis sequelas pós-covid-19 estão entre os principais gatilhos”, afirma. Entre as causas mais comuns, estão a neurite vestibular, a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) conhecida como “tontura dos cristais” , a enxaqueca vestibular e alterações metabólicas.

No caso do uso prolongado de telas, a exposição excessiva pode provocar fadiga ocular e interferir na integração entre visão e equilíbrio, além de favorecer má postura e inatividade física.

Sinais de alerta

Embora a maioria dos episódios não esteja associada a quadros graves, alguns sinais funcionam como alerta. Tontura súbita e intensa, especialmente quando acompanhada de dificuldade para falar, engolir ou andar, perda de força, visão dupla, dor de cabeça ou no peito, taquicardia ou desmaios, exige avaliação médica imediata.

Homem com cabelo curto, e barba usando camisa de botões em consulta com médico que tem o cabelo curto, barba, está usando jaleco branco e com estetoscópio no pescoço
O diagnóstico da tontura é baseado no histórico do paciente e no exame físico (Imagem: fizkes | Shutterstock)

Diagnóstico e tratamento da tontura

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no histórico do paciente e no exame físico, com apoio de exames complementares quando necessário. O tratamento, por sua vez, varia conforme a causa. “Grande parte dos casos pode ser controlada com mudanças de hábitos. Em situações específicas, como na VPPB, manobras terapêuticas simples costumam resolver”, destaca.

Prevenção e cuidados

A prevenção da tontura passa por medidas relativamente simples: alimentação equilibrada, boa hidratação, sono regular, prática de exercícios físicos e controle do estresse. Também é recomendável evitar longos períodos em jejum, consumo excessivo de álcool e cafeína, além do uso prolongado de telas.

Quando os sintomas se tornam frequentes ou persistentes, a orientação é clara: procurar avaliação especializada. “Ouvir o corpo e buscar acompanhamento médico são passos fundamentais para evitar complicações e recuperar a qualidade de vida”, conclui o otorrinolaringologista.

Por Aline Telles



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PE
postado em 09/04/2026 18:53
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