Literatura

Livro destaca desafios emocionais de jovens que cresceram em abrigos

A publicação "Sozinho eu não consigo" aborda o apadrinhamento afetivo e questiona a ausência de vínculos permanentes na vida de adolescentes acolhidos

Elizete lança seu primeiro livro em Brasília sobre apadrinhamento baseado em sua experiência -  (crédito: Arquivo pessoal)
Elizete lança seu primeiro livro em Brasília sobre apadrinhamento baseado em sua experiência - (crédito: Arquivo pessoal)

O debate sobre pertencimento, vínculos e acolhimento institucional ganha espaço com o lançamento do livro “Sozinho eu não consigo!”, da escritora Elizete Souza, em coautoria com Gabriel Gontijo, Janaína Araújo e Diogo Gontijo. 

A obra retrata os desafios enfrentados por crianças e adolescentes que cresceram em instituições de acolhimento, e discute o apadrinhamento afetivo como forma de apoio emocional e construção de vínculos fora dos laços sanguíneos. Misturando memória, ficção e reflexão social, o livro aborda temas como abandono, amadurecimento precoce, autonomia e redes de apoio.

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Segundo a autora, a narrativa foi construída a partir da própria experiência como madrinha afetiva. Ela é madrinha do Gabriel, irmão de Diogo. Janaína pertencia ao mesmo abrigo. “O vínculo não nasce pronto. Ele é construído aos poucos, com presença, escuta, limites, frustrações e também muito aprendizado”, afirma Elizete.

Ela destaca ainda que o apadrinhamento afetivo exige preparo e continuidade. Antes de participar do programa, a autora passou por encontros de formação promovidos pelo instituto Aconchego, voltados à preparação de padrinhos e madrinhas para compreender a realidade dos jovens acolhidos. “O apadrinhamento afetivo não pode ser tratado como um gesto de boa vontade sem continuidade. Esses jovens já viveram muitas rupturas e precisam acreditar que alguém pode permanecer”, completa.

O livro também busca fugir de uma visão romantizada sobre o tema. Ao longo da narrativa, os personagens enfrentam dificuldades na construção dos vínculos, marcados por medo, desconfiança e resistência emocional. “Existe afeto, mas também existe medo, silêncio e dificuldade de acreditar no outro”, destaca a autora.

A publicação amplia ainda o debate sobre as fragilidades enfrentadas por jovens que deixam os abrigos ao atingirem a maioridade, muitas vezes sem uma estrutura familiar consolidada.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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postado em 28/05/2026 17:52 / atualizado em 28/05/2026 17:52
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